Palestina consegue o status de estado observador da ONU

Palestinos obtiveram reconhecimento da ONU. Destaque também para eleições no Egito

Apesar de a Síria com a sua verdadeira guerra civil ter dominado o noticiário durante 2012, diversas outros países do Oriente Médio mereceram destaque na mídia durante todo o ano que termina. O maior destaque, sem dúvida, ocorreu no final de novembro quando a Organização das Nações Unidas (ONU) elevou a Autoridade Nacional Palestina a estado observador, medida que vinha sendo defendida há anos e que desagradou ao mesmo tempo Israel e os EUA.

No Egito, o presidente Mohammed Mursi, eleito pela população depois de intensas manifestações civis, acabou provocando a divisão da sociedade local ao se conceder poderes quase absolutos. 

Egito: eleições e Constituição

No Egito, o destaque ficou para a eleição do presidente Mohamed Mursi, substituindo o governo de transição que comandava o país desde a deposição de Hosni Mubarak. Contudo, em agosto, Mursi decretou uma polêmica lei que lhe garantia mais poderes que as outras instâncias do Estado. As revoltas populares voltaram a tomar conta da nação, especialmente da praça Tahrir, no Cairo. Em dezembro, os egípcios aprovaram em referendo a nova Constituição do país. O resultado dividiu as opiniões entre a população e houve muitos protestos.  

Além disso, em junho, o presidente deposto Mubarak, foi sentenciado à prisão perpétua acusado de ser cúmplice da morte de 850 manifestantes na revolução de 2011. 

Líbia: atentado aos Estados Unidos

A Líbia, um dos principais palcos da chamada Primavera árabe em 2011, ainda não conseguiu estabilizar sua situação política. Em setembro, um vídeo colocado no canal YouTube - "A Inocência Árabe" - causou grande revolta da população. Os protestos se intensificaram e manifestantes atacaram a embaixada dos Estados Unidos na capital Benghazi. Com a investida, o embaixador norte-americano Christopher Stevens e outros funcionários morreram. (Veja mais do assunto na retrospectiva sobre os Estados Unidos)

Líbano e Turquia: reflexos da guerra civil na Síria

No Líbano e na Turquia, o noticiário refletiu o desdobramentos da guerra civil síria que eclodiu com muita violência ao longo deste ano. No lado libanês, houve a ampliação do domínio do grupo radical xiita Hezbollah e confrontos sectários levaram a centenas de mortes. O território turco foi o grande destino para a maioria dos síros que fugiram do país devido aos conflitos.

Israel e Palestina: novos conflitos e vitória na ONU

Israel e Palestina voltaram a se enfrentar neste ano. Em outubro, o Hamas lançou foguetes da Faixa de Gaza para o território vizinho, atitude prontamente respondida pelo estado israelense. O conflito perdurou até o final de novembro, deixando centenas de mortos e feridos. A capital de Israel, Tel Aviv, teve sirene contra mísseis acionada pela primeira vez em duas décadas. O Egito, cuja maioria política é formada pela Irmandade Muçulmana, que é ligada ao Hamas, intermediou o cessar-fogo na região.

No final de novembro, a Organização das Nações Unidas (ONU) elevou a Autoridade Nacional Palestina a estado observador. Com isso, os palestinos tiveram o primeiro passo pelo reconhecimento de um país. Israel, por sua vez, repudiou a atitude e intensificou o assentamento de casas para colonos em territórios palestinos.