Internacional: mais de 45 mil mortes na Síria

No Oriente Médio, os destaques no noticiário internacional ficaram para os conflitos entre e dentro das nações da região. Na Síria, os embates entre opositores ao regime do presidente Bashar al-Assad e tropas do governo, que acontecem desde 2011, se intensificaram, trazendo grande tensão à comunidade internacional. No Egito, o presidente Mohamed Mursi protagonizou momentos de autoritarismo, mas o país votou, em referendo popular, a nova Constituição em dezembro.

Nesta primeira parte da retrospectiva do Jornal do Brasil sobre o Oriente Médio, terá destaque o noticiário internacional relacionado à Síria, cuja situação é considerada a mais grave na região. 

Síria: guerra civil e 45 mil mortes

A Síria foi o país que mais chamou a atenção do noticiário internacional em 2012. Após os movimentos pró-democráticos no Oriente Médio em 2011, chamados de Primavera Árabe, uma série de grandes protestos populares começaram na Síria em janeiro do ano passado, progredindo para a revolta armada em março do mesmo ano. Vale lembrar que o país está em estado de emergência desde 1962, quando do último golpe de estado. Em 2000, Hafez al-Assad, após 30 anos à frente do poder, passou a função a seu filho Bashar al-Assad. 

Em 2012, os conflitos se intensificaram drasticamente. As agências da Organização das Nações Unidas (ONU) que trabalham no local calculam que mais 500 mil pessoas tenham fugido do país por conta da violência. Com isso, o saldo de vítimas no ano ultrapassou 40 mil mortes, segundo observadores internacionais. Os principais conflitos ocorrem nas cidades de Damasco, Homs e Aleppo.  

Um dos principais incidentes foi o chamado massacre de Houla, em maio. Na ocasião 108 pessoas foram mortas, incluindo 34 mulheres e 49 crianças. Foi este episódio que motivou 11 países ocidentais a expulsarem diplomatas sírios de seus territórios. Não há consenso de quem realizou o ataque. 

Em junho, Assad declarou que o país estava em "estado de guerra", deflagrando a guerra civil que, na verdade, já ocorria dentro do território sírio. Em julho, a presidente Dilma Rousseff determinou o fechamento da Embaixada brasileira na capital do país, Damasco. No mesmo mês, o governo sírio anunciou que poderia usar armamento químico para se defender dos rebeldes. 

A oposição se organizou e, em agosto deste ano, formou o Conselho Nacional Sírio, apoiado por diversos países do ocidente, entre eles os Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha. Os confrontos persistiram durante o restante do ano e não há previsão de um acordo de paz entre as partes envolvidas. 

Confrontos ultrapassam fronteiras

Em outubro, tiros de artilharia pesada vindos da Síria atingiram a cidade de Akçakale, na Turquia, matando cinco civis turcos. Em resposta, a Turquia bombardeou alvos militares em território sírio, marcando a primeira intervenção estrangeira direta no conflito. 

A Turquia recorreu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que condenou o suposto ataque. Esta foi a ação militar mais violenta na fronteira durante toda a guerra civil e a primeira a provocar uma resposta letal estrangeira. Houve incidentes também com a Jordânia, Israel e Líbano.

A repercussão internacional do caso ganha contornos dramáticos após o apoio que a Rússia declarou ao país em abril deste ano. Como a Rússia é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, ela tem o poder de vetar quaisquer medidas mais duras contra a Síria na Organização. Em dezembro, o ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse ter pedido ao vice-chanceler sírio, Faisal Makdad, ênfase no diálogo com a oposição que atinja a paz e a formação de um governo de transição.