Economia estável e tensões políticas na América do Sul

Venezuela adere ao Mercosul em julho

A entrada da Venezuela no Mercosul, anunciada oficialmente no dia 31 de julho, marcou as relações na América do Sul em 2012. Apoiada pelo governo brasileiro, a adesão sofreu críticas, principalmente do Paraguai, que acusou a presidente Dilma Rousseff de ter pressionado outros governos a aceitar o acordo.

O continente viu ainda as perspectivas de crescimento caírem, tanto para 2012 como para o próximo ano, principalmente pela piora nas performances de Brasil e Argentina, as duas maiores economias da região. Para a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), a perspectiva para a região caiu de 3,7% para 3,2%. 

O embargo da Argentina às exportações brasileiras também marcou o ano. Especialistas consultados pelo Jornal do Brasil ao longo de 2012, analisam que a medida mostra a fragilidade das negociações do Mercosul (Mercado Comum do Sul). Para eles, o país hermano está tentando se proteger, já que além de enfrentar a competição chinesa (como no Brasil), eles também concorrem com produtos brasileiros em alguns setores, o que prejudica suas indústrias. 

Porém, para alguns europeus, que vivem sob taxas de crescimento negativos, o baixo PIB da região não parece ter assustado. As consequências da crise internacional também começam a ser vistas através do aumento no fluxo de imigrantes europeus, principalmente espanhóis, que buscam na América Latina novas oportunidades de emprego. 

O continente tem se esforçado para se unir e fortalecer os mercados regionais. O XX Congresso Interamericano de Ministros e Autoridades em Turismo, realizado em setembro em Quito, no Equador, foi uma prova. Durante as reuniões, a Unasul (União de Nações Sul-americanas), anunciou uma série de medidas para estreitar as relações intra regionais, entre elas a criação de um Grupo de Trabalho para o Turismo na região, com o objetivo de facilitar o trânsito de pessoas pelo continente, com a redução das tarifas aéreas e a maior cooperação entre as nações.

Ainda sim, a realização da Cúpula das Américas, em abril, deixou clara a divisão política em relação aos temas apresentados e mostrou fragilidades nos objetivos esperados por cada nação.

Crise no passado

Em uma entrevista exclusiva para o JB, realizada durante o congresso em Quito, Diego Borja, ex-ministro de economia e finanças do Equador entre 2006 e 2008, lembrou as épocas de hiperinflação que o continente viveu durante as décadas de 80 e 90, que acabaram levando o país a adotar o dólar com moeda corrente. 

“O Brasil e a Argentina viveram processos muito mais profundos de hiperinflação e desvalorização e não foram por este caminho. A decisão beneficiou os detentores de dólares, ou seja, bancos e grandes empresários, contra toda a população”, opinou.