China continua crescendo, mas oscila durante o ano

Previsão de crescimento para 2013 é de 8,4%

A economia chinesa deverá crescer 7,7% em 2012 e 8,4% no ano seguinte. O número é de fazer inveja aos europeus e americanos, que veem sua economia patinar desde a eclosão da crise internacional. Apesar da fórmula de sucesso, o gigante asiático sofreu oscilações nos últimos 12 meses.

O primeiro trimestre de 2012 registrou alta de 8,1% e fez com que as expectativas de crescimento para o país diminuíssem para 7,5% em abril. No segundo e terceiro trimestres, os índices ficaram no mesmo patamar: 7,6% e 7,4% respectivamente. As taxas foram as mais baixas desde 2009, no auge da crise econômica.

Em julho, mais notícias ruins: o superávit comercial da China registrou uma forte redução, no mês em que as exportações aumentaram apenas 1% na comparação com o mesmo mês em 2011. Os números assustaram o mercados, que esperava melhora na performance do país para este ano.

Porém, não são motivos reais de preocupação, afirmaram especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil. O economista Pedro Paulo Bastos, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou, em entrevista ao JB, que a redução chinesa é fruto de um ajuste econômico promovido pelo governo, que pretende fortalecer ainda mais o mercado interno e realizar novas reformas estruturais na nação. 

"Entre 2010 e 2011, o governo promoveu várias iniciativas para reduzir a inflação, controlar a expansão do crédito, criou mecanismo regulatórios e por isso a economia avançou ainda menos do que eles imaginavam", explicou.

Os produtos chineses, devido a flexibilidade das legislações e os baixos custos de produção, competem com os manufaturados brasileiros, enfraquecendo as indústrias nacionais. Para evitar esta situação, em julho, o Brasil ampliou a restrição à importação de calçados do asiático. 

Em entrevista exclusiva para o JB, em abril, o economista Aldo Musacchio, professor de Negócios e Economia Internacional da Universidade de Harvard, apontou o fortalecimento do modelo chinês de Capitalismo de Estado como tendência mundial. 

A importância da economia chinesa no mercado global se mostrou durante todo o ano, principalmente pela reação dos mercados, que entravam em pânico quando o país ameaçou cair. A cautela se justifica: uma desaceleração causaria transtornos em todo o mundo.

Para crescer mais, o Banco Mundial acredita que a China precisa gastar ainda mais, o que pode beneficiar o Brasil, já que para acelerar o PIB, o asiático demandaria commodities, principal produto exportador brasileiro.