Sem resistência, PM ocupa Manguinhos e Jacarezinho em apenas 20 minutos

Com cerca de 1500 homens das forças de segurança do Rio de Janeiro e da Marinha do Brasil, os complexos de Manguinhos (formado por cinco comunidades) e o Jacarezinho foram ocupados em apenas 20 minutos, na manhã do dia 16 de outubro. A pacificação de duas das maiores favelas cariocas evidenciou, no entanto, um problema que parece estar longe de ser resolvido no Rio de Janeiro, assim como em outras grandes capitais: o crescente número de usuários de crack.

Com a ocupação, os dependentes que viviam na maior cracolândia da cidade não puderam mais continuar nas imediações das duas favelas recém-pacificadas e passaram a perambular por áreas vizinhas: sobretudo no acesso à Favela Parque União e na entrada da Ilha do Governador, às margens da Avenida Brasil. Trazidos a uma maior visibilidade, os usuários de crack e outras drogas evidenciaram a carência de uma política pública capaz de contornar o problema.

Apesar de já ter sido anunciada desde o início do segundo semestre, a ação de retomada de ambos os territórios ocorreu depois do resgate do traficante DG da 25ª DP (Engenho Novo). Na ocasião, um grupo de bandidos armados com fuzis não teve dificuldade em retirar o recém-preso de trás das grades e reconduzi-lo à comunidade próxima. O chefão ainda não foi recapturado até hoje. 

Condições básicas

Com a ocupação, o governo estadual prometeu investir R$ 100 milhões nas comunidades. A total ausência de saneamento básico nas duas favelas e as condições de insalubridade das casas fizeram com que o governador anunciasse a desapropriação da Refinaria de Manguinhos, cujo terreno seria usado na construção de milhares de residências. A questão gerou muita polêmica, porque o secretário Carlos Minc calculou serem necessários cinco anos e cerca de R$ 200 milhões para recuperar a área, que estaria contaminada. Contrariado, o governador afirmou que a previsão de Minc não passava de " um chute".