Croácia na final expõe equilíbrio na elite do futebol

MOSCOU - Só Miroslav Blazevic afirmou que a Croácia seria campeã do mundo. Técnico croata na Copa de 1998, ele confiava na força de uma equipe crescida na elite do futebol mundial. 

Modric no Real Madrid, Rakitic no Barcelona, Mandzukic ex-Bayern. Quando você joga entre os melhores, torna-se um deles.

Isso não significa que se deva apostar tudo na exportação. É necessário criar ambiente de alto nível dentro do país, o que hoje não existe na Croácia. 

Seu campeonato nacional tem 2.900 torcedores por jogo, menos do que o Campeonato Carioca, e só 2 dos 23 convocados jogam no país. 

Mas a Croácia tem o nacionalismo à flor da pele como característica. O brilhante livro “Behind the Courtains” (Atrás das cortinas), em que o jornalista inglês Jonathan Wilson abre a janela do futebol do leste europeu, conta que nas eliminatórias da Copa de 1998, um Ucrânia x Croácia tinha ucranianos enfastiados de vodka e cerveja, enquanto os torcedores croatas gritavam: “U boy, u boy, za narod svoj!” (Lutem, lutem, pelo nosso povo!). 

O livro traz relatos de jogadores que afirmavam que o sentimento nacionalista explodiu na Euro-1996, primeira competição oficial disputada pela seleção croata. Na Copa na França, em 1998, já era diferente, mas muito intenso. Se fosse só isso, a Croácia não teria sido eliminada na fase de grupos das Copas de 2002, 2006 e 2014. Alto rendimento não se faz de nacionalismo, apenas. 

Nem só de vontade. A geração atual se uniu em torno dos veteranos, que julgavam que esta seria a última chance de uma grande campanha.

Modric, Mandzukic, Olic e Rakitic terão mais de 30 anos no Qatar. Queriam entrar nos livros já. Mas há futuro. Perisic tem 25 anos, Vrsaljko, 22, Lovren, 24, Brozovic, 21, Kovacic, 20.

A razão mais especial de a Croácia chegar é talento. Sempre houve isso lá. 

Em 1987, a Iugoslávia foi campeã mundial sub-20 eliminando o Brasil e vencendo a Alemanha na final. A geração também tinha Mijatovic e foi eliminada pela Argentina de Maradona, nos pênaltis, na Copa de 1990. 

A guerra matou o sonho.

A outra razão de a Croácia chegar é que a elite do futebol está cada vez mais equilibrada. Sempre vale lembrar: 72% dos jogadores da Copa jogam fora de seus países. Todos têm o mesmo preparo tático, físico e técnico. A Croácia não chegou porque a Copa foi uma baba. Ao contrário, seu sucesso expõe como está difícil.