O jogo em que o Brasil perde para o México

MOSCOU - Rafael Sóbis jogou no Tigres, em Monterrey, no México, de 2014 a 2016. Só voltou ao Brasil por causa da família. “Lá, eu nunca joguei para menos de 40 mil torcedores no estádio”, diz o atacante do Cruzeiro.

Se a seleção brasileira é mais forte do que a mexicana e favorita no confronto desta segunda-feira (2), em Samara, o futebol doméstico pulsa mais forte na América do Norte do que no velho país do futebol.

“Eles falam dos clubes e do campeonato o tempo inteiro, e a força da internet faz isso se espalhar”, completa.

Faz décadas que o México contrata mais e exporta menos do que o Brasil. Sua seleção na Copa do Mundo tem oito jogadores da Liga MX. A seleção de Tite, só três do Brasileiro. Eles exportam menos porque têm menos talento. Mas não é só isso. Os mexicanos com potencial para jogar na Europa muitas vezes querem voltar. “Aquino, meu companheiro no Tigres, tinha mercado na Europa, mas preferiu ficar em Monterrey.” Os salários são bons, e o campeonato é atraente.

Se o México tem oito jogadores na sua seleção nacional jogando em seu próprio país e sabe-se que só uma vez um campeão mundial ganhou o troféu com mais convocados de fora do que de dentro de seu torneio, se a economia brasileira é mais forte do que a mexicana, se o futebol cada dia é mais indústria, gera empregos e impostos no mundo todo, por que o ambiente brasileiro é mais tímido do que o mexicano?

A média de público do Torneio Clausura, finalizado em maio, foi de 25 mil torcedores por partida. Só perde para os campeonatos da Inglaterra, da Alemanha e da Espanha. Na Itália, a média é de 24 mil, na França, 22 mil, no Brasil, 16 mil.

A empresa América Móvil, do megaempresário Carlos Slim, controla o Pachuca e o León. A cimenteira Cemex ajudou o Tigres a chegar à final da Libertadores, em 2015.

Ter um país onde as pessoas vibram com futebol não garante sucesso na Copa do Mundo. A Alemanha tem os estádios mais cheios do planeta e foi eliminada na primeira fase pela primeira vez em 80 anos. A diferença é que lá o futebol é indústria. A paixão pela bola cria empregos, paga impostos, gera riqueza e paga as contas de milhares de famílias. O México não é mais do que a Alemanha, mas seu campeonato produz mais interesse –e dinheiro– do que no Brasil.

O Brasil tem enorme chance de ganhar do México em campo. Fora dele, passou da hora de empatar o jogo.