Crítica: 'O artista'

O inglês Graham Greene disse que sua novela O terceiro homem, quando adaptada para o cinema pelo também inglês Carol Reed, não deveria ser lida, mas vista. O comentário de Greene parece reordenado (talvez reprocessado) em O artista, escrito e dirigido pelo francês Michel Hazanavicius (pronuncia-se 'razãnaviciú'). Trata-se de um filme para ser ouvido, o que parece uma sugestão tola diante do fato de que o longa em questão não contém uma só linha de diálogo. Explica-se.

O artista é um filme mudo, em preto e branco, inspirado em Fred Astaire, Gene Kelly, Stanley Donen e Busby Berkeley, Hitchcock (do qual 'toma emprestado' um tema musical), Crepúsculo dos deuses e no cinema americano feito até 1928, ano de lançamento do primeiro filme falado. Os ingredientes parecem estranhos ao cinema de nosso tempo, mas funcionam - como funcionariam num filme feito há 80 anos ou feito ano passado. Reconhecendo o feito, as associações e círculos de críticos e organizações de classe (diretores, produtores e roteiristas) distribuíram prêmios fartamente a O Artista. O Oscar, no próximo 26 de fevereiro, indicou o filme em onze categorias. Os BAFTA, equivalente britânico, em doze. No hipódromo chamam isso de barbada.

Um galã do cinema mudo enxerga a própria decadência apontar na esquina, puxada pela novidade dos talkies (gíria para filmes falados). Por força do acaso cinematográfico, ele cruza com uma aspirante à atriz/bailarina que, na mão inversa, está prestes a chegar ao estrelato com os filmes falados. O mesmo (e mágico) acaso cinematográfico fará os os caminhos se cruzarem mais uma vez, como é de se supor; o caminho até o reencontro é onde Hazanavicius mostra que fez um filme para ser ouvido.

A forma engenhosa como utiliza a trilha composta por Ludovic Bourcesobre sua própria montagem, os números de dança, a precisão do sorriso do protagonista Jean Dujardin e o magnetismo do par que ele faz com Berenice Bejo, além de um extenso elenco de apoio, em maioria americano (James Cromwell, John Goodman, Penelope Ann Miller) nos remete à mágica própria dos filmes que, vez ou outra, volta para nos lembrar como é acolhedora e emocionante a experiência do cinema.

Cotação: **** (Excelente)

>> Locais em que o filme está em exibição entre 24 de fevereiro e 1 de março  

Zona Sul: Cinépolis Lagoon 3: 15h. Arteplex 5: 20h, 22h. Estação Sesc Botafogo 1: 13h20, 15h20, 17h20, 19h20, 21h20. Estação Sesc Ipanema 1: 13h50, 15h50, 17h50, 19h50, 21h50. Estação Vivo Gávea 4: 13h40, 15h40, 17h40, 19h40, 21h50. São Luiz 1: 14h30, 19h10, 21h20. Roxy 1: 15h10, 17h20, 19h30, 21h40. Leblon 2: 14h, 16h20, 18h40, 21h. Kinoplex Fashion Mall 4: 15h, 19h40, 21h50. Barra: Espaço Rio Design 2: 14h,16h, 18h, 20h, 22h. UCI NY 1: 14h, 16h15. Cinemark Downtown 1: 20h10. Zona Norte: Kinoplex Tijuca 3: 17h, 21h45, 6a e sáb também às 23h59.  

>> Programação de Cinema completa de 24 de fevereiro a 1 de março