Crítica: 'Os especialistas'

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Um assassino profissional retorna, sabe-se lá de onde, para um último serviço. Precisa salvar a pele de um colega de profissão. Os especialistas (Killer elite, no original), um thriller de ação com algo de espionagem, torce (e retorce) a trama de Elite de assassinos (The killer elite, de 1975). No filme de Sam Peckinpah, um assassino (James Caan) procura vingança depois de traído por seu comparsa e melhor amigo (Robert Duvall). Nesta "refilmagem acidental" do novato Gary McKendry, a vingança vira camaradagem, embora lenta e gradualmente.

Danny (Jason Statham) é contratado por um sheik moribundo para dar cabo dos assassinos de seus três filhos a farto soldo. Mas nem tudo é pelo dinheiro. Aliás, sua justificativa para sair atirando em oficiais reformados do exército inglês é perfeitamente aceitável (e muita mais nobre que o vil metal): o sheik mantém em cativeiro o parceiro, mentor e melhor amigo (Robert De Niro). Danny sai para fazer o serviço e logo entram na equação - e esticam a trama aparentemente simples - mercenários, pilantras e pistoleiros de toda sorte, incluindo uma sociedade secreta de milicos ingleses.

Statham e De Niro, com Clive Owen (papel certo, bigode errado) de contrapeso, não chegam a "duelar". Um, apesar de limitadíssimo, oferece o duo bravura/selvageria que o papel exigia sem atropelos; o outro puxa o gatilho e solta as frases do roteiro com a tranquilidade de quem toma um cafezinho depois do almoço. As presenças de Dominic Purcell, talvez mais conhecido por atuar na série de tevê Prison Break (e talvez só por ela), e da desconhecida Yvonne Strahovski equilibram as atenções. 

Os especialistas tem tanta morte, tiro, sangue e porrada quanto outros filmes, cumprindo assim os requisitos narrativos do gênero. A diferença entre o que fez Peckinpah em 75 e o que fez McKendry em 2011 é que, para o primeiro a matança não precisava de mais uma justificativa que não a vingança, e era praticada sem um pingo de culpa ou remorso. No segundo, sempre surge o rosto de um menino que testemunhou o assassinato do pai para assombrar o personagem de Statham quando ele está prestes a puxar o gatilho. Torcida e retorcida, a vingança, sim, pode ser lucrativa. E, quem diria, honrosa.

Cotação: *** (Ótimo)