Crítica: 'Borboletas negras'

Borboletas Negras tem como proposta mostrar as diversas facetas da vida da poetisa sul africana Ingrid Jonker que  teve um fim trágico aos 31 anos em 1965, sendo uma das pessoas a escrever e denuciar o Apartheid. 

Essa cinebiografia dirigida pela diretora holandesa Paula Van der Oest - de Zus & Zo tenta sem sucesso mitificar a figura da poetisa numa mistura da vida pessoal dela e sua luta com a segregação racial na tentativa de justificar seus atos a partir basicamente de um eterno conflito com seu pai racista e autoritário. 

São longas e por vezes repetitivas as suas inúmeras tentativas de suicídio, bem como as relações com seus amantes que tentam sem muito sucesso explicar a psique da personagem. Tudo no entanto é amenizado na interpretação marcante de Carice van Hounten - de A espiã - que dentro de um roteiro frágil, consegue criar nuances poderosas para sua personagem. 

Pena que o veterano Rutger Hauer fique retratado em poucos momentos do filme num total estereótipo do pai castrador. Com uma belíssima fotografia mostrando as diferenças entre as belas praias da Cidade do Cabo com a misérias dos guetos, toda a ambientação é de extrema qualidade. Com diversas passagens de seus textos e poesias se destaca o  já famoso The dead child of Nyanga (A criança  morta de Nyanga) lido por Nelson Mandela ao fim do filme na primeira assembléia livre da África do Sul em 1994. Dá pra chorar de emoção.

Cotação: ** (Bom)