Crítica - 'A missão do gerente de recursos humanos'

Impossível ver A missão do gerente de recursos humanos e não lembrar de filmes como  Avanti! (de Billy Wilder, 1972), e Guantanamera (de Tomás Gutiérrez Alea, 1995), exemplos anteriores de comédias com plots baseados em traslados funerários. 

Sobre o que é A missão...? Inicialmente, parece ser sobre a perda de identidade: em Jerusalém, uma imigrante morre em condições violentas, e ninguém parece saber quem ela era, ou se importar com iso. 

Mas isso é  novidade? Qualquer espectador que more numa cidade com mais de 500 mil habitantes já sabe disso.

Surge na trama um jornalista para denunciar o descaso para com a falecida – mas age assim unicamente para capitalizar em cima do fato, não por compaixão ou senso de honra (mais uma vez  relembramos Billy Wilder e o jornalista canalha de seu A Montanha dos Sete Abutres, de 1951).

O personagem principal, o gerente de RH do título, tem de escoltar o corpo até a terra natal da morta. Sobram na trama críticas à burocracia e à corrupção no Leste Europeu. Mais adiante, o foco parece ser o desagregamento familiar – vemos que tanto o personagem principal quanto a falecida têm/tiveram seus casamentos encerrados por divórcio, e, devido às conjunturas de seus empregos, dificuldade/impossibilidade de acesso aos respectivos filhos adolescentes.

O protagonista, o jornalista e o filho da vítima vagam com o corpo, tentando achar um lugar de repouso para ele. É mostrada uma horrenda e deprimente cidade industrial com adolescentes sem-teto instalados em prédios abandonados e, depois, restos de equipamentos e instalações militares nunca utilizados. Tudo soa como denúncia do desperdício gerado pelo dirigismo estatal e do militarismo, em contraste com as baixas condições de vida da população.

E é em meio à pobreza e a rusticidade da aldeia onde mora a mãe da vítima que três gerações de familiares irão se reencontrar. Manifestações de afeto genuíno contrastarão com a apatia cínica da primeira meia hora. Mas, apesar de ter vários pontos interessantes, o filme de Eran Riklis não consegue alcançar um objetivo claro. Cotação: * (Regular)