Primavera que virá

Após as jornadas de junho, que revelaram ao país e ao mundo um novo Brasil, uma população mais consciente e disposta a lutar por melhores condições de saúde, educação, segurança, transporte coletivo e trabalho, a dúvida é se teremos uma repetição dessas manifestações nesta próxima primavera.

Conforme as redes sociais já anunciam, estão marcados atos públicos e caminhadas contra a corrupção e a impunidade para coincidir com o 7 de Setembro. A data simbólica em que se comemora a independência, nos últimos tempos tem servido de cenário também para manifestações de protesto. Embora reunisse normalmente grupos minoritários que aproveitavam a ocasião para chamar a atenção da opinião pública e das autoridades, a expectativa desta vez é diferente.

Ninguém desconhece mais, ou, pelo menos, não tem o direito de ignorar, a amplitude dos protestos havidos no país e as causas desse descontentamento. No entanto, as respostas que vieram do governo e do parlamento não tocaram o ponto central da questão.

De um lado, os governantes não realizaram ações para uma melhoria nas condições objetivas que envolvem o cotidiano das pessoas; de outro, deputados e senadores promoveram sessões frenéticas de aprovação de novas leis no Congresso que também não têm a faculdade de resolver de imediato os problemas denunciados nas mobilizações.

Assim, o manto do marasmo parece descer sobre o palco, enquanto esperamos a volta dos atores principais, para que a história continue.

*Pedro Simon é senador da República.