Estilo de governo

Pedro Simon*

A humanidade tem experimentado diferentes estilos de governo. Alguns de natureza extremista, outros de corte moderado e democrático, todos trazem em seu conteúdo a relação necessária do poder com as diferentes forças políticas que atuem na sociedade, seja de forma livre e aberta, mais ou menos toleradas ou, mesmo, clandestinas. As democracias podem enfrentar problemas, e até derivar para uma crise institucional se o estilo do governante for de inspiração autoritária. Existem muitos estudos que procuram analisar a personalidade do ocupante do poder e seu relacionamento com os demais poderes e o conjunto da sociedade.

O Brasil enfrentou formas diversas de governo e de regimes ao longo de sua história. Colônia, com autoridade delegada pela matriz, depois o império unificador e, enfim, a República, um golpe. Os governos foram autoritários ou democráticos, com maior ou menor intensidade e resultados variados do ponto de vista do desenvolvimento e do bem estar da população. Nossos períodos de democracia plena foram curtos. Em toda a nossa história, os últimos 28 anos representam o mais longo período democrático que já vivemos.

Somos um país jovem, contando pouco mais de 500 anos, um nada se comparados, por exemplo, com os cinco mil anos da China, um país curioso que aparentemente ‘sempre existiu’, pois não possui uma data de fundação, de descobrimento ou coisa que o valha. A juventude pode errar, é parte do processo de amadurecimento, mas os governos quando erram afetam a vida de todos e, principalmente, põe em risco o destino da nação.

Não se imagine que o estilo um tanto quanto autoritário exibido à farta pela presidente da República Dilma Rousseff, signifique um risco institucional para o país. Estamos longe disso. Mas, ajudaria em muito que a nossa mandatária, em que pese suas muitas e reconhecidas qualidades, se inspirasse um pouco no estilo democrático de governar de Itamar Franco.

Ao assumir a presidência num período de crise institucional que sucedeu um inédito impeachment do presidente da República, do qual era vice, Itamar inaugurou uma época ‘de ouro’ na República, tanto no aspecto econômico, com o lançamento do Plano Real, abertura e crescimento, como na política. Itamar esteve sempre aberto ao diálogo com todas as forças políticas, movimentos sociais e instituições da sociedade. O primeiro ato de seu governo foi reunir todos os presidentes de partidos políticos e propor uma relação de duas mãos, ida e volta. Qualquer problema que surgisse, cada um dos presentes estava autorizado a ir direta e pessoalmente ao palácio, sem a necessidade, como ocorre atualmente, de uma longa negociação burocrática para tal. Não foi necessário. Não houve crise.