Público e preços fazem sede hípica diferente de todo o Pan

Em todas as sedes dos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara é possível encontrar chaveiros, camisetas, bonés e outras lembranças à venda. Porém, apenas no Country Club de Guadalajara, os fãs de modalidades hípicas podem adquirir uma elegante bota de couro por pouco mais de R$ 2 mil. Afinal, como diz uma das espectadoras das provas do Pan de 2011, trata-se de um esporte de "primeiro nível".

O local, que recebe atletas de diversas nacionalidades durante o Pan, tem também visitantes com um perfil bem diferenciado dos que são vistos em animados ginásios, estádios e complexos esportivos.

Assistindo aos conjuntos estão admiradores mais discretos, silenciosos e dispostos a gastar até mesmo US$ 1 mil (cerca de R$ 1,7 mil) por um lugar na Área VIP do clube, cujo acesso é restrito até mesmo a voluntários do Pan. Ali, garçons se movem rapidamente para atenderem mesas.

Em um setor próximo, é possível encontrar um pequeno recinto cercado, onde lojas dividem espaços com as tendas que vendem produtos licenciados. Ali é possível achar vinhos, tratamentos para cavalos e roupas para montarias. Rosa Cordero, a vendedora de uma dessas lojas, negocia uniformes hípicos de fabricação italiana, botas e capacetes.

"Espero que venha mais gente. Até agora, mais ou menos", disse ela, que não entregou a idade. "Sou jovem", disse, no quiosque próximo ao de José Carlos Crucet. Este, assistente de marketing de uma empresa de alimentação equina, comemora a chance de fazer bons negócios. "Nosso distribuidor é médico do Pan. A oportunidade está aqui", diz.

Enquanto os adultos fazem negócios e assistem aos conjuntos, as crianças aproveitam para correr, chutar bolas em outra tenda e deitar na grama artificial da área de alimentação, onde um refrigerante em lata pode custar o triplo do preço encontrado em uma loja fora do clube.

Marisa Topete, 52 anos, frequenta o local e não se importa com os preços cobrados no Pan. "Sou sócia do Country Club e montei por toda a minha infância e juventude", afirma. "Pagamos 50 pesos (cerca de R$ 6,5) por um refrigerante e um pacote de batatas. Está um pouco mais caro. É caro, mas este é um esporte caro, de primeiro nível", completa.

Marisa compareceu ao evento acompanhada de amigas e das filhas Gabriela e Tania. A mãe apresentou as duas como jovens alunas de vôlei, mas quando perguntadas se gostavam de esportes equestres, se animaram. "Sim", disse a mais nova, depois de perguntar para a mãe o que eram esportes equestres.

Enquanto os visitantes se animam, a pista convive com o silêncio quase absoluto. Durante a apresentação dos conjuntos, os únicos sons ouvidos são as músicas que acompanham os atletas - Sixpence None The Richer, Bajofondo, Amy Winehouse, The Verve, Beyoncé e Miley Cyrus foram alguns dos nomes que tiveram músicas executadas. Nas arquibancadas descobertas, mesmo sob um sol forte, frequentadores eram vistos de cachecóis e de grossos coletes.

Mas em meio a este mundo de elevadas cifras, ainda há espaço para a classe média. Embaixo de uma arquibancada, deitados na grama para escapar dos quase 35ª C, cinco moradores de Guadalajara acompanhavam as provas. Jorge Moto, 26 anos, levava a namorada Andrea Wilson e a cunhada Vera Wilson para verem os cavalos. Ao lado deles, o casal Adriana Jimenez e Manuel Muñoz.

"Está muito calor. Estamos descansando", conta Jorge, engenheiro. Segundo ele, o grupo queria ingressos para assistir a uma competição, e a final do adestramento era a única com entradas disponíveis.

Pela primeira vez, Vera estava no Country Clube, embora todos gostassem do esporte. "Não temos muito conhecimento da competição em si. Precisamos de tempo, mas admiramos o movimento. Não somos especialistas", conta Jorge.