Bolsonaro fideliza eleitorado evangélico em Marcha para Jesus, em São Paulo

Participação no evento ofereceu ao presidente, que disputa a reeleição este ano, a chance de reafirmar suas bandeiras em prol da religião e da família

Foto: Carla Carniel/Reuters
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O presidente Jair Bolsonaro participou da Marcha para Jesus, em São Paulo, nesse sábado (9). O evento é realizado por igrejas evangélicas e conta com a presença de lideranças religiosas.

Dez trios elétricos percorreram 3,5 quilômetros da capital paulista, entre a Estação da Luz e a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, onde houve encerramento com apresentações de música gospel, orações e discursos políticos.

Bolsonaro abriu a marcha com um discurso que evocou uma "luta do bem contra o mal"; ele se apresentou como "defensor da família".

"Nós temos uma posição: somos contra o aborto, somos contra a ideologia de gênero, a liberação das drogas, somos defensores da família brasileira. Nós somos a maioria no país. A maioria do bem. E nessa guerra do bem contra o mal, o bem vencerá mais uma vez", disse Bolsonaro.

Ele também evocou a luta contra o socialismo e alertou para o risco de o Brasil virar uma nação socialista. "Que o nosso povo não experimente as dores do socialismo", disse o presidente. Ele pediu aos presentes que olhassem para o resto da América do Sul, e citou a Venezuela, Argentina, Chile e Colômbia – estes três últimos países que recentemente elegeram governos progressistas. "Não queremos isso para o Brasil", disse Bolsonaro.

O presidente minimizou os problemas econômicos que o país atravessa, afirmando que são "passageiros".

"Problemas todos nós temos por aqui; os materiais são passageiros, como vocês estão notando nos últimos dias. Os espirituais devemos nos preocupar sim. Só um homem ou uma mulher com liberdade pode viver em felicidade", disse Bolsonaro.

Bolsonaro também reafirmou que seu governo é livre de corrupção. "Tem uma coisa que nos faz ter a consciência tranquila: somos um governo que acabou com a palavra corrupção."

A participação de Bolsonaro no evento ofereceu ao presidente, que disputa a reeleição este ano, a chance de reafirmar suas bandeiras, as mesmas que usou para se eleger em 2018: a religião, o combate à corrupção e a suposta ameaça socialista no Brasil.

Também foi uma oportunidade de fidelizar seu eleitorado. Segundo pesquisa do Datafolha, que detalhou o que os eleitores mais admiram em seus candidatos, Bolsonaro figurou como o que mais pensa em Deus na hora tomar decisões. O atual presidente é visto por 34% como aquele que mais pensa em Deus na hora de tomar decisões políticas, enquanto 30% mencionaram Luiz Inácio Lula da Silva.

Em outra pesquisa do Datafolha, um em cada cinco eleitores (20%) declarou que tem religião e frequenta uma igreja ou serviço religioso que oferece ensinamentos ou recomendações sobre como votar nas eleições.

A Marcha para Jesus ocorre anualmente em São Paulo, mas não pôde ser realizada presencialmente nos últimos dois anos, por conta da pandemia. Em 2019, ela reuniu 3 milhões de pessoas. Neste ano, as projeções apontam para um público de 9 mil pessoas.

Segundo noticiado, evento foi financiado por duas emendas parlamentares que destinaram recursos do município para sua organização. As emendas somam R$ 1,7 milhão, sendo uma no valor de R$ 710 mil, proposta pelo vereador missionário José Olímpio (PL), e outra de R$ 1 milhão, do vereador João Jorge (PSDB).

Durante seu discurso, Bolsonaro mostrou-se contrariado com alguns presentes que faziam em sua direção, com os dedos, a letra "L", como fazem os eleitores do ex-presidente Lula. (com agência Sputnik Brasil)

 

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