Repórteres Sem Fronteiras alerta para discurso anti-imprensa no Brasil

País aparece apenas na 110ª posição entre 180 nações em ranking

Foto: Reuters / Adriano Machado
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A ONG Repórteres Sem Fronteiras publicou nesta terça-feira (3) seu ranking global de liberdade de imprensa e alertou para os discursos cada vez mais antimídia no Brasil. O país aparece apenas na 110ª posição entre 180 países, "melhorando" apenas uma colocação em relação ao ano passado.

Ainda conforme o órgão, a relação entre imprensa e governo está piorando mais durante o governo de Jair Bolsonaro.

"A desconfiança em relação à imprensa, alimentada pela retórica antimídia e pela banalização do discurso estigmatizante da classe política, especialmente no Brasil (110º do Ranking), em Cuba (173º), na Venezuela (159º), na Nicarágua (160º) e em El Salvador (112º), ganhou mais terreno. Cada vez mais visíveis e virulentos, esses ataques públicos enfraquecem a profissão e incentivam processos abusivos, campanhas de difamação e intimidação - principalmente contra mulheres - e assédio online contra jornalistas críticos", diz o texto publicado pela ONG.

Já na análise global, a RSF pontua que há um "número recorde de países em uma posição muito grave", sendo que 12 nações estão na "lista vermelha", incluindo a Rússia e Belarus. Os dois países são extremamente alinhados e o regime de Aleksandr Lukashenko é o único a apoiar abertamente Vladimir Putin em sua guerra na Ucrânia.

O conflito europeu, inclusive, ganhou destaque na análise publicada.

"Internacionalmente, a assimetria entre sociedades abertas, por um lado, e regimes despóticos que controlam seus meios de comunicação e suas plataformas enquanto travam guerras de propaganda, por outro, enfraquece as democracias. Em ambos os níveis, essa dupla polarização é um fator de intensificação das tensões", diz o relatório.

"A invasão da Ucrânia (106ª) pela Rússia (155ª) no final de fevereiro de 2022 é emblemática do fenômeno, pois foi preparada por uma guerra de propaganda", ressaltam os especialistas.

A RSF ainda alerta para a falta de regulamentação da comunicação online, ressaltando que o ranking divulgado nesta terça "mostra os efeitos desastrosos do caos da informação (um espaço digital globalizado e desregulamentado, que favorece a informação falsa e a propaganda)".

Os melhores do ranking, novamente, foram Noruega, Dinamarca e Suécia. Os demais países do Top 10 foram Estônia, Finlândia, Irlanda, Portugal, Costa Rica, Lituânia e Liechtenstein.

Já as 10 piores nações em liberdade de imprensa são: Coreia do Norte (180), Eritreia (179), Irã (178), Turcomenistão (177), Myanmar (176), China (175), Vietnã (174), Cuba (173), Iraque (172) e Síria (171). (com agência Ansa)

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