Possível aliança da '3ª via' ameaça mais Bolsonaro do que Lula, diz pesquisador

Uma possível aliança entre MDB, Podemos, PSDB e União Brasil quer balançar o cenário das eleições presidenciais e fortalecer um candidato da chamada terceira via. Bolsonaro pode sair prejudicado

Foto: Sergio Lima/AFP
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O presidente do PSL, Luciano Bivar, revelou em entrevista publicada pelo portal UOL na quinta-feira (2) que existem negociações para uma aliança entre MDB, Podemos, PSDB e União Brasil – federação partidária que aglutina DEM e PSL.

O principal objetivo da aliança é a formação de uma chapa única da chamada terceira via para as eleições presidenciais de 2022, fazendo frente ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lideram as pesquisas de intenção de voto.

"É uma aliança bastante poderosa que vai ter tempo de televisão, vai ter dinheiro, vai ter palanque para se colocar em uma posição forte nessa disputa", afirma o cientista político José Paulo Martins Junior, professor e pesquisador da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), em entrevista à agência de notícias Sputnik Brasil.

Martins explica que os principais entraves para a concretização dessa aliança são as próprias lideranças dos partidos. Além disso, rusgas podem surgir em meio às negociações, que tendem a ser mais complexas ao nível estadual.

"Os principais entraves para que uma aliança desse porte aconteça são os interesses particulares, eu diria, de cada uma das principais lideranças desses partidos. E também há um complicador que são os palanques estaduais. É claro que pode haver mais de um palanque em torno dessa candidatura presidencial envolvendo esses quatro partidos, mas esse é um aspecto que é difícil equacionar", diz o pesquisador.

 

Moro tira mais votos de Bolsonaro do que de Lula

Dentre os pré-candidatos conhecidos dos partidos envolvidos na possível aliança, os principais nomes são o do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o do antigo ministro da Justiça de Bolsonaro, o ex-juiz Sergio Moro (Podemos). Martins acredita que entre as possibilidades criadas pela possível aliança da terceira via está a desistência de Doria para fortalecer o nome de Sergio Moro na corrida pelo Planalto.

"Não se deve descartar essa possiblidade de João Doria abrir mão da candidatura para fortalecer Sergio Moro. Isso já vem sendo ventilado há algum tempo. Os pré-candidatos do PSDB, antes da decisão interna do partido, tanto [o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo] Leite quanto Doria já tinham dito que pretendiam conversar com Sergio Moro", lembra o professor, que acrescenta que Moro sempre foi próximo do PSDB.

 

As pesquisas eleitorais mais recentes mostram Sergio Moro em terceiro lugar. Apesar disso, o ex-juiz segue distante de Bolsonaro, enquanto Lula desponta com chances de vencer a eleição no 1º turno. Moro também aparece com menos chances que o candidato à reeleição em um possível segundo turno contra Lula.

 

Para o cientista político José Paulo Martins, a entrada de uma aliança em torno de Sergio Moro na corrida eleitoral seria uma ameaça mais significativa para Bolsonaro e outros candidatos da direita. Na análise de Martins, Moro ainda não configura ameaça para Lula.

"Acho difícil que ele [Lula] saia da liderança [das pesquisas]. É claro que pode acontecer eventualmente, mas a gente tem que ter em mente que nas pesquisas que estão circulando no momento, tanto Sergio Moro quanto João Doria têm índices de rejeição muito superiores aos de Lula. Então, derrubar a liderança do Lula é difícil", aponta Martins.

O cientista político explica ainda que o ex-ministro da Justiça tem características diferentes de seus principais adversários e precisa achar um caminho para cair no gosto popular.

"Entre Lula e Bolsonaro eu entendo que ainda haja uma certa proximidade de estilo. Ambos são políticos que caem no gosto popular, enquanto que o Moro, não. [...] Acho que o Moro não rouba votos do Lula, acho que pode roubar votos principalmente do Bolsonaro", afirma.(com agência Sputnik Brasil)

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