Governadores querem reunião com Bolsonaro para reduzir tensão

Gestores participaram de fórum em Brasília nesta segunda (23)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Os governadores de 24 estados do Brasil e do Distrito Federal se reuniram nesta segunda-feira (23) e reforçaram as críticas contra o governo de Jair Bolsonaro, defenderam as instituições democráticas e decidiram solicitar uma reunião com o presidente do país.

Segundo o coordenador do fórum de governadores e governador do Piauí, Wellington Dias (PT), a expectativa é de que o possível encontro com Bolsonaro na próxima semana servirá para tentar harmonizar a relação entre os Poderes.

"O objetivo é demonstrar a importância de o Brasil ter um ambiente de paz, de serenidade onde possamos garantir a forma de valorização da democracia, mas principalmente criar um ambiente de confiança que permita atração de investimentos, geração de empregos e renda", disse Dias.

Para o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), a intenção é "utilizar a força dos governadores que falam em nome da população e levar essa fala dos 27 governadores para todos os Poderes constituídos no país".

A reunião do Fórum Nacional de Governadores foi realizada três dias após o presidente Jair Bolsonaro pedir o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Além disso, ocorre depois da Polícia Federal deflagrar uma operação para investigar a incitação de atos violentos contra a democracia.

A decisão de Bolsonaro foi duramente criticada pelos governadores do país e, por isso, eles anunciaram que estão preparando uma carta para os representantes dos Poderes, como da Câmara dos Deputados, do Senado e do STF, na tentativa de marcar reuniões para reduzir a instabilidade política, além de debater temas de interesse dos estados.

"Foi uma proposta de consenso de todos nós, governadores, pela nossa disparidade de posições políticas e partidárias, mas, pela harmonia que temos no nosso grupo, nós temos condições de ajudar nessas relações", enfatizou Ibaneis.

Apesar de ter rompido com Bolsonaro, Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina, foi um dos únicos que se posicionou contra uma medida mais enérgica contra o presidente.

"O que nós devemos fazer é defender a democracia, Moisés, e não silenciar diante das ameaças que estamos sofrendo constantemente", reagiu o governador de São Paulo, João Doria.

O gestor paulista é um dos defensores da produção de uma carta em repúdio às ações recentes de Bolsonaro. No entanto, a maioria acredita que essa medida serviria apenas para acirrar os ânimos e não conter.

Logo depois do encontro, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), fez um balanço da discussão e ressaltou a necessidade de que autoridades se posicionem contra as agressões de Bolsonaro "à democracia, ao meio ambiente e à economia".

"Democracia não é apenas a oportunidade da eleição de um governo, é também a necessidade de que os governantes eleitos saibam conviver com a contestação", afirmou. "Infelizmente, o atual presidente parece não saber disso", publicou.

De acordo com Leite, o Brasil enfrenta um momento crítico, que exige posicionamento. "Temos uma responsabilidade como governadores para além das nossas próprias populações dos Estados, para com a Federação, que é a soma dos nossos Estados. É algo que se impõe neste momento crítico que estamos vivendo da história nacional", afirmou.

O evento contou com a presença de 23 governadores e dois vice-governadores de 24 estados e do Distrito Federal. Alguns representantes participaram do encontro presencialmente no Palácio do Buriti, sede do governo do DF, mas a maioria optou pela videoconferência.

Dos 27 governadores, somente dois não participaram: o do Tocantins, Mauro Carlesse (PSL) e o do Amazonas, Wilson Lima (PSC).(com agência Ansa)