Lira é criticado por levar PEC do voto impresso ao plenário e 'sentar' sobre pedidos de impeachment

Membros da comissão especial da PEC do voto impresso rejeitaram nessa quinta parecer favorável por 23 votos a 11. Mesmo assim o presidente do parlamento insiste em nova votação, como quer Bolsonaro

Foto: Reuters / Ueslei Marcelino
Credit...Foto: Reuters / Ueslei Marcelino

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou nesta sexta-feira (6) que levará a proposta sobre a implantação do voto impresso ao plenário da Casa, apesar de a proposta ter sido derrotada em comissão especial sobre o tema na véspera.

Segundo Lira, a decisão visa a pacificar as eleições de 2022, depois que o tema do voto impresso se tornou motivo de enorme tensão entre o presidente Jair Bolsonaro, que quer o voto impresso, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que defende a lisura do sistema eletrônico.

"Infelizmente, assistimos nos últimos dias [a] um tensionamento, quando a corda puxada com muita força leva os poderes para muito além de seus limites. A Câmara dos Deputados sempre se pauta pelo cumprimento do regimento e pela defesa da sua vontade, que é a expressão máxima da democracia", justificou o presidente da Casa em pronunciamento transmitido pela TV Câmara.

Lira acrescentou: "Voto impresso está pautando o Brasil, não é justo com o país [...]. Para quem fala que democracia está em risco, não há nada mais livre, amplo e representativo do que deixar o plenário manifestar-se".

"O parlamentar não falou sobre os mais de 100 pedidos de impeachment do presidente que esta"riam na Câmara esperando sua deliberação, afinal, o impedimento de Bolsonaro também pauta o país", diz um usuário do Twitter.

Comissão rejeitou voto impresso

Nessa quinta-feira (5), membros da comissão especial da proposta de emenda à Constituição (PEC) rejeitaram parecer favorável à impressão dos votos, elaborado pelo relator Filipe Barros (PSL-PR) por 23 votos a 11, em uma importante derrota para Bolsonaro.

Como se trata de uma PEC, para a mudança ser aprovada precisa do apoio de 308 dos 513 deputados em dois turnos de votação e depois, também em duas rodadas, os votos de 49 dos 81 senadores.