Em nota, juízes federais dizem que Bolsonaro produz 'escalada de desrespeito' aos integrantes do STF

Em apoio à decisão do presidente do STF, de cancelar a reunião que aconteceria entre chefes dos Poderes, juízes federais dizem que 'mensagens distorcidas' de Bolsonaro sobre decisões judiciais são 'inaceitáveis'

Adriano Machado/Reuters
Credit...Adriano Machado/Reuters

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, cancelou nessa quinta (5) a reunião que haveria entre os chefes dos poderes pelas ofensas proferidas pelo presidente Jair Bolsonaro a ministros do Supremo, conforme noticiado.

Após a decisão de Fux, nesta sexta (6), juízes federais publicaram uma nota classificando como "inaceitáveis as repetidas mensagens distorcidas sobre decisões judiciais" declaradas pelo chefe do Executivo. Os magistrados também manifestaram repúdio "à escalada de desrespeito" aos integrantes do STF.

"São inaceitáveis as repetidas mensagens distorcidas sobre decisões judiciais e sobre a higidez do processo eleitoral brasileiro, além das reiteradas ofensas a membros do STF, com ameaças diretas de ruptura com a ordem legalmente constituída", diz a nota.

O texto foi assinado pela Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e dez entidades regionais de juízes federais. As entidades manifestaram apoio a Fux, que sinalizou romper o diálogo com o Executivo.

"A Ajufe reconhece a liderança do ministro Luiz Fux [...] para atuar na defesa da ordem jurídica e do poder Judiciário, bem como na preservação da harmonia e independência dos poderes da República, e roga às demais autoridades que atuem para a retomada de um ambiente tranquilo e pacífico, no qual os limites impostos pela Constituição sejam respeitados."

Ainda segundo a nota, o "contínuo e ruidoso atrito entre os poderes da República" dissemina "sentimentos de temor à sociedade brasileira".

Bolsonaro, que defende o voto impresso e diz que houve fraudes nas eleições de 2018 por conta do sistema de urnas eletrônicas, tem atacado diversas vezes o presidente do TSE e ministro do STF, Luís Roberto Barroso.

Na quarta-feira (4), o presidente da República chegou a dizer que o ministro tinha uma "questão pessoal" com ele, e que o mesmo "não vai ganhar na canetada".

Em resposta à fala do presidente, Barroso disse que "uma das vertentes do autoritarismo contemporâneo é o discurso de que 'se eu perder houve fraude'". (com agência Sputnik Brasil)



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