'Pressuposto do diálogo é o respeito mútuo': após fala de Bolsonaro, Fux cancela reunião dos poderes

Nos últimos dias, o presidente Bolsonaro tem defendido o voto impresso e atacou diversas vezes presidente do TSE e ministro do STF, Luís Roberto Barroso.

Marcelo Camargo/Agência Brasil
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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, anunciou nesta quinta-feira (5) o cancelamento da reunião que haveria entre os chefes dos Poderes. Fux reclamou do comportamento do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e das ofensas a ministros e ao processo eleitoral brasileiro.

"O presidente da República tem reiterado ofensas e ataques de inverdades a integrantes desta Corte, em especial os ministros Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes. Sendo certo que, quando se atinge um dos integrantes, se atinge a Corte por inteiro. Além disso, sua excelência [Bolsonaro] mantém a divulgação de interpretações equivocadas de decisões do plenário bem como insiste em colocar sob suspeição a higidez do processo eleitoral brasileiro", afirmou Fux.

A reunião havia sido marcada em 12 de julho, quando Fux e o Bolsonaro se encontraram na sede do STF. A reunião foi motivada pelos constantes ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral e a ministros do Supremo.

O ministro afirmou que na ocasião alertou o presidente "sobre os limites do exercício do direito da liberdade de expressão" e criticou a insistência de Bolsonaro em criticar membros da corte.

"Diante dessas circunstâncias, o Supremo Tribunal Federal informa que está cancelada a reunião outrora anunciada entre os Chefes de Poder, entre eles o Presidente da República. O pressuposto do diálogo entre os Poderes é o respeito mútuo entre as instituições e seus integrantes", afirmou o ministro nesta quinta-feira (5).

Nos últimos dias, o presidente Bolsonaro tem defendido veementemente o voto impresso e atacou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do STF, Luís Roberto Barroso.

"Ele [Barroso] não vai ganhar na 'canetada'. Não estamos aqui brigando para dizer quem é mais homem, quem não é mais homem. É para termos a certeza de quem o povo votou, o voto vai exatamente para aquela pessoa", disse o chefe do Executivo na quarta-feira (4).

Bolsonaro e Barroso divergem sobre a adoção do voto impresso e nas últimas semanas vêm trocando farpas em relação ao assunto.(com agência Sputnik Brasil)