Bolsonaro diz que não tinha como saber sobre caso Covaxin

Irmãos Miranda disseram que informaram presidente sobre problema

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O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse nesta segunda-feira (28) que não sabe de tudo que acontece nos ministérios do governo ao falar sobre as possíveis irregularidades no processo de compra da vacina anticovid Covaxin.

"Não tenho como saber o que acontece nos ministérios. Eu vou na confiança em cima de ministro e nada fizemos de errado. Agora, botam uma narrativa de que a vacina fissura o governo no tocante da corrupção", disse aos apoiadores em Brasília.

Sem citar diretamente os nomes do deputado Luís Miranda (DEM-DF) e de seu irmão, o servidor de carreira do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, o mandatário disse que recebe "todo tipo de gente" em seu Gabinete.

"Devia receber pouca gente, recebo todo mundo e daí ele que apresentou aquilo. Eu nem sabia como estava questão da tratativa da Covaxin", disse, no entanto, sem negar que recebeu ambos.

Na última semana, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre a Covid-19, os irmãos Miranda apresentaram documentos e conversas que mostram que havia uma "pressão atípica" para a compra da vacina Covaxin, por meio da empresa brasileira Precisa Medicamentos.

Em um depoimento de mais de 10 horas, o deputado Miranda - após ser pressionado por senadores - revelou que o líder do governo Bolsonaro na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), era quem fazia a pressão para a aprovação do contrato para a compra de 20 milhões de doses da fórmula da Bharat Biotech.

Os dois confirmaram que fizeram uma reunião com Bolsonaro no dia 20 de março para apresentar diversos indícios de irregularidades no processo de compra. Naquele dia, conforme os Miranda, o presidente afirmou que pediria para a Polícia Federal investigar o caso - o que não ocorreu - e citou o nome de Barros como um dos responsáveis "pelo rolo".

O vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que entrará com uma denúncia-crime contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por prevaricação, quando um agente público não age para impedir que um ato suspeito de crime ocorra.

Além da comissão, o Ministério Público Federal também investiga a compra das doses por algumas suspeitas: um possível superfaturamento no preço das doses (US$ 15 cada), que é a mais cara paga pelo governo; a celeridade em relação a essa compra, já que outras farmacêuticas ficaram meses esperando pela assinatura do contrato; e a necessidade de intermediação da Precisa Medicamentos, cujos sócios têm uma dívida de quase R$ 20 milhões com o Ministério da Saúde.(com agência Ansa)