Redes sociais não perdoam Exército por livrar Pazuello de punição

O general, por ser da ativa, não pode comparecer a atos políticos, o que tem feito ao lado do presidente Bolsonaro. No Twitter, usuários fizeram de "Exército" o termo mais falado nas redes na tarde desta quinta-feira. Veja

AP Photo / Eraldo Peres
Credit...AP Photo / Eraldo Peres

O Exército do Brasil anunciou nesta quinta-feira (3) que não punirá o general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello por sua participação em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro, mesmo que o regimento vete que militares da ativa participem de eventos do tipo.

"Acerca da participação do General de Divisão Eduardo Pazuello em evento realizado na Cidade do Rio de Janeiro, no dia 23 de maio de 2021, o Centro de Comunicação Social do Exército informa que o Comandante do Exército analisou e acolheu os argumentos apresentados por escrito e sustentados oralmente pelo referido oficial-general. Desta forma, não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar", diz o curto comunicado.

Assim, o Exército decidiu arquivar o processo administrativo e abrir um precedente inédito na história da redemocratização.

Pazuello participou de um evento com motociclistas na capital fluminense ao lado de Bolsonaro e, além de permanecer o tempo todo sem máscara, item obrigatório na cidade do Rio de Janeiro, subiu em um carro de som e discursou ao lado do presidente.

O regimento do Exército veta que militares da ativa - de qualquer patente - participem de atos políticos e partidários, em penas que podem ir de advertência à prisão. A participação de Pazuello no evento gerou críticas de generais de alta patente, como o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, que afirmou que a regra servia para "evitar que a anarquia se instale nas Forças Armadas".

Pazuello, que não passou para a reserva mesmo quando era ministro da Saúde, gerenciou a pasta no pior momento da pandemia de Covid-19 e é alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado, que investiga as ações e omissões do governo federal e de governos estaduais na gestão da crise sanitária.

O ex-ministro também é alvo de inquérito sobre o colapso do sistema de saúde do Amazonas no início de 2021.(com agência Ansa)






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