CPI da covid-19: após campanha nas redes, bolsonaristas acionam a Justiça contra Renan Calheiros

Cotado para presidir a polêmica Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará os supostos erros do governo na pandemia, Calheiros enfrenta forte oposição da militância

Waldemir Barreto/Agência Senado
Credit...Waldemir Barreto/Agência Senado

Desde que o nome de Renan Calheiros foi especulado na presidência da CPI da covid-19, a base aliada de Jair Bolsonaro ligou o sinal de alerta, temendo que as investigações dos senadores possam ser influenciadas pelas críticas de Calheiros ao governo.

Aliados do presidente da República, Alê Silva (PSL), Carla Zambelli (PSL), Carlos Jordy (PSL) e o ex-ministro do Turismo Marcelo Álvaro Antônio, iniciaram uma campanha no domingo (18) chamada "Renan Suspeito".

Eles argumentam que o senador deveria ser considerado suspeito por ser pai do governador de Alagoas, Renan Filho (MDB), o que configuraria um conflito de interesses.

Nesta segunda-feira (19), a deputada Carla Zambelli escreveu sobre o assunto em suas redes sociais.

Ontem (18), o ex-ministro Marcelo Álvaro Antônio escreveu: "O princípio da suspeição do juízo é clara: Renan Calheiros não pode ser relator da CPI da covid-19: tendo em vista que é pai de um governador, também, objeto de investigação da CPI". Já a deputada federal Alê Silva publicou:

Carlos Jordy, por sua vez, comentou: "Renan Calheiros ser escolhido como relator revela a seriedade da CPI da covid-19". Segundo ele, em um "país sério, um réu em processo no STF [Supremo Tribunal Federal], investigado em 20 inquéritos e pai do governador de Alagoas, jamais assumiria a presidência de uma comissão para investigar ilícitos".

O senador Renan Calheiros respondeu às críticas. Ele pediu ao Twitter o cancelamento de 3.043 contas.

Segundo ele, a cada 1 mil menções de seu nome sobre a CPI da covid-19, 67% foram feitas por robôs. Com base nisso, ele pediu o cancelamento dos perfis.