Lula pede ajuda a Macron e chama Bolsonaro de 'genocida' em entrevista

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a pedir, nesta sexta-feira, por uma reunião do G20 para discutir a distribuição igualitária de vacinas contra a covid-19 e a criticar o combate à pandemia no Brasil

Foto: Epa
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Lula disse, em entrevista ao jornal francês "Le Monde", que a vacina não deveria ser um produto de mercado, mas "se tornar um bem comum da humanidade".

"Desde o início da pandemia, nem o G20, nem o G8 se encontraram para falar sobre o assunto. É urgente. Apelo ao presidente Emmanuel Macron [França]: chame o G20. Ligue para Joe Biden [EUA], Xi Jinping [China], Vladimir Putin [Rússia] e o resto. Estamos em guerra, é a Terceira Guerra Mundial e o inimigo é muito perigoso", afirmou o petista.

No meio da semana, Lula já havia dado uma entrevista para a jornalista Christiane Amanpour, da CNN norte-americana, em que pediu a convocação de uma reunião do G20.

Lula chamou o presidente Jair Bolsonaro de "ignorante" e "genocida" e defendeu a criação de um comitê de crise para cuidar da pandemia no Brasil.

"Bolsonaro acredita que, ao se recusar a admitir a gravidade da pandemia, a economia vai se recuperar novamente. A única cura é vacinar o povo brasileiro", declarou.

Apesar de ter dado diversas entrevistas, Lula continua afirmando que não sabe se será candidato à Presidência da República nas eleições de 2022, mas que não vê problema nenhum em não concorrer.

"Eu tenho 75 anos. Em 2022, na época das eleições, terei 77. Se eu ainda estiver em plena forma, e for estabelecido um consenso entre os partidos progressistas deste país para que eu seja candidato, bem, não verei nenhum problema em ser. Mas já fui candidato antes, fui presidente e servi por 2 mandatos. Também posso apoiar alguém em boa posição. O mais importante é não deixar Jair Bolsonaro governar mais este país", disse.

O ex-presidente também aproveitou para defender que os brasileiros precisam de "empregos, livros e investimentos em cultura".

"Comecei na política nos anos 1970 e nunca vi meu povo sofrer como hoje. Pessoas morrendo nos portões dos hospitais, a fome voltou. E, diante disso, temos um presidente que prefere comprar armas de fogo ao invés de livros e vacinas. O Brasil é chefiado por um presidente genocida. É realmente muito triste", completou.(com agência Sputnik Brasil)