Bolsonaro lê carta de suposto suicida para atacar lockdown

A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem um manual voltado aos profissionais de mídia sobre como cobrir suicídios. Uma das recomendações é justamente não divulgar cartas de despedidas

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) leu em sua 'live' na noite dessa quinta-feira (11) a carta de um suposto suicida para atacar medidas restritivas que estão sendo adotadas por governadores para tentar frear a disseminação do vírus.

"Estamos tendo aí casos de suicídio pelo Brasil por causa do lockdown", disse Bolsonaro antes de ler a carta do suposto suicida.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) tem um manual voltado aos profissionais de mídia sobre como cobrir suicídios.

Uma das recomendações é justamente não divulgar cartas de despedidas das pessoas que decidem dar fim à própria vida porque isso poderia ser um gatilho para novos suicídios.

"Não publicar fotografias do falecido ou cartas suicidas" é o primeiro item da lista do que não fazer.?

A lista também inclui outras recomendações não atendidas por Bolsonaro, como "não fazer sensacionalismo sobre o caso" e "não atribuir culpas".

Filho do presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi além e publicou em uma rede social não só a carta como supostamente a foto do corpo.

Após ler a mensagem, Jair Bolsonaro disse que o efeito colateral do lockdown está sendo mais danoso que o próprio vírus e que só idosos e quem tem comorbidade deve ficar em casa.

"O resto, pessoal, toma as medidas ali que estão sendo usadas no momento e vão para o trampo. Vão trabalhar, pô. Eu ando no meio do povo. Eu duvido que este governador da Bahia, do Rio ou do Rio Grande do Sul vá no meio do povo. Ele vai falar 'mas eu não quero contaminar ninguém'. Bota três máscaras e vai para o meio do povo, porra!", disse Bolsonaro, que depois excluiu o governador do Rio da lista.

Com a carta do suposto suicida em mãos, o presidente disse que o acusam de genocida.

"Quem nunca passou necessidade ou nunca esteve no meio do povo pode falar 'fique em casa, eu estou cuidando da tua saúde'. Está cuidando da saúde? Você está matando o cara", disse Bolsonaro em crítica aos governadores.

  • Falar sobre querer morrer, não ter propósito, ser um peso para os outros ou estar se sentindo preso ou sob dor insuportável
  • Procurar formas de se matar
  • Usar mais álcool ou drogas
  • Agir de modo ansioso, agitado ou irresponsável
  • Dormir muito ou pouco
  • Se sentir isolado
  • Demonstrar raiva ou falar sobre vingança
  • Ter alterações de humor extremas
  • Não deixe a pessoa sozinha
  • Tire de perto armas de fogo, álcool, drogas ou objetos cortantes
  • Leve a pessoa para uma assistência especializada
  • Ligue para canais de ajuda

188
é o telefone do Centro de Valorização da Vida (CVV). Também é possível receber apoio emocional via internet (www.cvv.org.br), email, chat e Skype 24 horas por dia. (Folhapress)

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