'Resultados julgarão' Doria e Bolsonaro em crise da vacina, diz especialista

'Bolsonaro flerta com o negacionismo, com posturas anticientíficas'

Folhapress / Paulo Guereta
Credit...Folhapress / Paulo Guereta

Na última quinta-feira (29), o presidente Bolsonaro, sem mencionar diretamente o tucano João Doria, voltou a afirmar que o governo federal não pagará pela vacina CoronaVac, que está sendo produzida pelo laboratório chinês Sinovac e o Instituto Butantan, de São Paulo.

"Ninguém vai tomar a tua vacina na marra não, tá ok? Procura outro. E eu que sou o governo, o dinheiro não é meu, é do povo, não vai comprar tua vacina também, não, tá ok? Procura outro para pagar tua vacina aí", disse o presidente em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

O cientista político Rodrigo Prando, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, cita conceito do sociólogo alemão Max Weber para explicar que, no "embate político" entre Bolsonaro e Doria, "a história e os resultados julgarão" os seus atos na crise do coronavírus.

"O que Weber chama ética da sociologia: cada decisão polícia e ação traz uma consequência, e essa consequência será julgada à luz de sua eficiência. Tanto o governador João Doria como o presidente Jair Bolsonaro serão julgados pelos resultados de suas escolhas e ações", disse o especialista.
Bolsonaro e o flerte com 'negacionismo'

Para o cientista político, o ponto de ruptura entre Doria e Bolsonaro, que foram aliados na campanha de 2018, mas se afastaram a partir de 2019, foi justamente a pandemia. Segundo ele, os dois "optaram por discursos e posturas diferentes".

"Na maioria das vezes, Bolsonaro acabou flertando com o negacionismo, com posturas anticientíficas, com desprezo pela pandemia. Ao passo que o governador montou um gabinete de crise, tem dado entrevistas semanais, apontado os planos que existem no estado e lutado para que o Instituto Butantan possa entregar aos paulistas e aos brasileiros uma vacina segura e eficaz", afirmou Prando.

No dia 20 de outubro, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou acordo para a compra de 46 milhões de doses da vacina desenvolvida pelo laboratório chinês em parceria com o Butantan, que tem como fiador o governador de São Paulo.

No dia seguinte, porém, Bolsonaro afirmou que o protocolo para compra do imunizante seria cancelado. Por meio das redes sociais, ele disse que "o povo brasileiro não será cobaia de ninguém", e "não se justifica um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem".(com agência Sputnik Brasil)