Amigo dos Bolsonaros, assessor que fez voo em jato da FAB ganha novo cargo

Destituído pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) da secretaria-executiva da Casa Civil após fazer voo exclusivo em jatinho da FAB (Força Aérea Brasileira), Vicente Santini ganhou novo cargo no Palácio do Planalto.

Amigo da família Bolsonaro, Santini foi nomeado nesta quarta-feira (29) assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil e terá uma remuneração R$ 16.944,90 mensais, de acordo com lista de cargos e salários em sites do governo federal. O valor é cerca de R$ 300 menor do que seu salário anterior.

O ex-secretário desembarcou nesta quarta em Brasília após acompanhar a comitiva presidencial a Déli, na Índia. Sua nomeação foi assinada por Fernando Wandscheer de Moura Alves, que o substituiu na secretaria-executiva da Casa Civil.

O titular da pasta, Onyx Lorenzoni, está em férias, mas conversou com o presidente e com seus auxiliares para a realocação de Santini.

De acordo com informações do Portal da Transparência, na condição de secretário-executivo, o auxiliar de Onyx recebia um salário de R$ 17.327,65.

A destituição de Santini foi anunciada por Bolsonaro na manhã de terça-feira (28), ao desembarcar em Brasília da Índia. 

O presidente disse ter sido "inadmissível" o fato de ele ter usado uma aeronave oficial com apenas três passageiros (ele e duas assessoras) para voar de Davos, onde participava do Fórum Econômico Mundial, para Déli. 

"Inadmissível o que aconteceu. Já está destituído da função de executivo do Onyx [Lorenzoni]. Destituído por mim. Vou conversar com Onyx para decidir quais outras medidas podem ser tomadas contra ele. É inadmissível o que aconteceu, ponto final", afirmou o presidente.

A viagem de Santini em voo da FAB foi divulgada pelo jornal O Globo. O secretário representava Onyx, que está em férias. 

"O cargo de executivo da Casa Civil já está perdido. Outras coisas virão depois de eu conversar com Onyx", disse. "Isso é decisão minha. Aguardo Onyx, não posso também desprestigiar o ministro, né? Vou ver os argumentos dele. Daí ver se teremos mais alguma medida suplementar disso aí", disse.

Em agosto de 2019, o presidente Jair Bolsonaro entrega Medalha do Pacificador ao secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, destituído do cargo após usar um jato da FAB (Força Aérea Brasileira) para viajar à Índia Reprodução/Twitter Em agosto de 2019, o presidente Jair Bolsonaro entrega Medalha do Pacificador ao secretário-executivo da Casa Civil, Vicente Santini, destituído do cargo após usar um jato da FAB (Força Aérea Brasileira) para viajar à Índia      Bolsonaro disse que o uso da aeronave não é "ilegal" mas "imoral". A assessoria de imprensa da Casa Civil informou que "a solicitação [do avião] seguiu os critérios definidos na legislação vigente".

"O que ele fez não é ilegal, mas é completamente imoral. Ministros antigos foram de aviões lá comercial, classe econômica. Eu mesmo já viajei no passado, não era presidente, para Ásia toda de comercial, classe econômica, e não entendi. A explicação que chegou no primeiro momento: 'ele teve de participar de reunião de ministros por isso...' Essa não, essa desculpa não vale."

Santini é formado em direito pela Universidade Católica de Brasília e possui mestrado e douturado pela UniCeuB. Antes de ser o número dois da Casa Civil, ele assumiu a (SAM) subuchefia de acompanhamento e monitoramento, onde acompanhou casos como o desastre de Brumadinho, por exemplo.

Ele chegou ao governo com respaldo da família Bolsonaro por ter amizade desde a infância com os filhos do presidente. O cargo de secretário-executivo foi assumido em março de 2019, quando o antigo ocupante do posto, Abraham Weintraub, assumiu o MEC (Ministério da Educação).

Santini conheceu a família Bolsonaro dos círculos de militares por ser filho de general do Exército. Desde que entrou para o governo, ele costumava fazer publicações com filhos do presidente, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), além de eles trocarem mensagens em tom elogioso um ao outro. 

Antes de assumir cargo público, ele era sócio de um escritório de advocacia em Brasília. Em seu currículo público, disponível em suas redes sociais, Santini diz ter trabalhado entre 2007 e 2012 no Ministério da Defesa com assuntos ligados a privatização e Aviação Civil. (Talita Fernandes/FolhaPressSNG)