Amigo, político e jurista

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Celio Borja (1928-2022), que morreu na semana passada, aos 93 anos, começou sua carreira na política como assessor do governo Juscelino Kubitschek, em 1959. Logo depois, seguiu a carreira política e teve como padrinho o ex-deputado federal e ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Aliomar Baleeiro
Além de político, grande advogado e jurista, Celio Borja foi um amigo fiel.

Eu o conheci na campanha eleitoral que nos elegeu para a Assembleia Legislativa do extinto Estado da Guanabara, em 1962. Ele entrou como suplente de Raimundo de Brito. E, foi convocado para ocupar a vaga de deputado estadual pela UDN, depois que o colega foi nomeado secretário de saúde do governo de Carlos Lacerda.

Lacerdista militante, Celio Borja foi o líder da UDN na Assembleia Legislativa, no início da legislatura, e, logo depois, foi indicado por Carlos Lacerda para ser secretário de Governo e, em seguida, secretário de Fazenda da administração udenista.

Depois de 1964, Celio Borja preferiu ir para a Arena (nós, os outros lacerdistas, fomos para o MDB), depois que Castelo Branco promoveu a extinção dos partidos e decretou o bipartidarismo.
Em 1966, Borja foi eleito suplente de deputado federal pela Arena, no Rio de Janeiro.

Eleito deputado federal em 1970 e em 1974, tornou-se líder da bancada da Arena e, depois, foi presidente da Câmara Federal.

Adepto da abertura política, apaziguador, Celio Borja foi um dos elos de ligação que nós, lacerdistas cassados por causa da Frente Ampla, a partir de 1968, tivemos com Brasília.

Por causa de suas ideias progressistas, ele não pôde ir para o cargo de Ministro da Justiça, no governo Geisel. Mas, era respeitado pelo presidente e pelo governo militar.

Passou pelo PDS, como parlamentar, e ajudou a fundar o PFL.

Em 1986, foi indicado para o STF pelo presidente José Sarney.

Foi eleito para a presidência do Supremo em 1991, aposentou-se do cargo em 1992 e assumiu o posto de ministro da Justiça do governo de Fernando Collor de Mello.

No cargo de ministro, acompanhou todo o processo de "impeachment do presidente Fernando Collor.
Quando escrevi meu livro, "O Sonhador Pragmático", sobre Carlos Lacerda, tive o apoio de Celio Borja, que ajudou com informações de seu arquivo de memórias.

Católico, ele foi frequentador assíduo do Mosteiro de São Bento.

Amigo de Alceu Amoroso Lima e de Gustavo Corção, Celio Borja também foi discípulo de Jacques Maritain, filósofo católico.

Como quase todos os políticos e homens públicos brasileiros, Celio Borja também passou pela UNE.
Foi vice-presidente da UNE, em 1948. E, teve um importante papel de conciliador, quando a sede da entidade foi invadida pela polícia, no governo do general Eurico Dutra, um ano antes de Getúlio Vargas ser eleito presidente da República, nas eleições de 1950.

Amigo de Cândido Mendes, formou-se em advogado, em 1951. E, foi , também, professor.

Conversávamos muito sobre a política brasileira. E, nos encontramos muitas vezes, nos últimos anos.

*Ex-deputado e empresário.

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