A derrubada dos vetos e a derrocada de Bolsonaro

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Quem acompanhou os trabalhos do Congresso Nacional na noite desta segunda-feira viu de perto a emoção dos parlamentares progressistas ao derrubar vetos do presidente da República a propostas fundamentais para a democracia e a segurança social da população. Deu uma alegria imensa constatar a força das mulheres neste momento crucial da política brasileira.

Foram derrubados os vetos que Bolsonaro tinha feito à criação das federações partidárias e à suspensão dos despejos durante a pandemia. Sim, o Brasil tem um presidente da República favorável à tomada de lares das pessoas que atrasarem aluguel neste momento em que o país contabiliza 14 milhões de desempregados. Mas a importância de se eleger deputados e senadores comprometidos com os temas sociais se mostrou essencial e barrou esse absurdo.

Em relação às federações partidárias, o resultado final, na Câmara, já durante a noite, provocou comoção, comemoração e um clima bonito de vitória. Movimento liderado pela bancada do histórico PCdoB, encampado por outros colegas também progressistas. Com a criação das federações partidárias, duas ou mais legendas que tenham alinhamento ideológico poderão se unir para atuar conjuntamente em todo o país, mantendo, entretanto, diretórios independentes. Essa junção de partidos deverá durar por pelo menos quatro anos, ao contrário das extintas coligações, que eram válidas apenas no período eleitoral.

Durante o processo de votação, chamou atenção o empenho das deputadas Alice Portugal, da Bahia, Perpétua Almeida, do Acre, Professora Marcivânia, do Amapá, e Jandira Feghali, do Rio de Janeiro, presididas por Luciana Santos, todas do PCdoB. Ao lado delas, os parlamentares Orlando Silva, Rubens Pereira Júnior, Daniel Almeida e Renildo Calheiros. O partido, que se tornará centenário no ano que vem, se empenhou fortemente na derrubada do veto. A vitória da proposta, mais uma vez, mostrou que quando mulheres se unem em torno de uma causa na qual acreditam – neste caso, a consolidação da democracia, com a garantia da existência de partidos menores, mas que tenham proposta ideológica e um programa político para o país – o êxito é inevitável e vem cheio de energia.

Em suas redes sociais, a deputada Perpétua Almeida postou uma foto da comemoração logo após a derrubada do veto no Senado, com abraços entre parlamentares. Na legenda, escreveu: “quando se faz política com o coração e dedicação, o sentimento fica estampado na foto que registrou o momento da vitória da federação partidária no Senado. Viva a democracia!” “É uma conquista democrática, além de uma derrota para Bolsonaro”, postou Alice Portugal. “Numa noite histórica, o Congresso Nacional derrubou o veto do presidente Bolsonaro às federações partidárias. (...) Temos certeza que esse modelo fortalece a democracia e o pluralismo político”, declarou, também nas redes, a presidenta do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos.

Paralelamente, no mundo das “fake news”, um dos filhos de Bolsonaro, aquele investigado pelas “rachadinhas” e que comprou uma mansão de seis milhões de reais enquanto os brasileiros perdem renda, emprego, comida e vidas com a pandemia, fazia (mais) um comentário raso e sem sentido criminalizando o... comunismo. O mesmo discurso pré-golpe militar de 64. Mas como não há mal que dure para sempre, o pai desse sujeito perde força e apoio a cada dia. E terá no próximo sábado, dia 2 de outubro, nas ruas de todo o país, a demonstração maciça da sua derrocada.

Esse discurso conspiratório não convence mais. Porque a sociedade brasileira sente na pele, no bolso e no estômago que o grande embuste do país se chama Jair Bolsonaro. Enquanto isso, o Partido Comunista do Brasil e todas as bancadas progressistas garantiram o fortalecimento da democracia, a moradia de quem perdeu o emprego e não tem como pagar aluguel, e organizam a luta pelo impeachment do pior presidente da República que o Brasil já teve.

Lídice Leão é jornalista, pesquisadora e mestranda em Psicologia Social pela USP

 

 

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