O perigo maior

Na estrutura de comunicação da sociedade organizada em rede é fundamental a confiança na palavra de outrem. Reforça não só a interdependência, mas semelhança em humanidade dos membros de comunidades de origem e de escolha.

"É por intermédio do processo civilizatório em curso", diz Norbert Elias, "que o próprio jogo dos mecanismos de interdependência efetivamente amplia as margens das possibilidades de intervenções conscientes nas redes das interdependências."

Certos acontecimentos são considerados marcantes na medida em que servem de indícios para fenômenos sociais de longa duração e parecem determinados por eles. Como esquecer a magnitude das manifestações de junho de 2013?

Sabemos que o sentido da existência se desvela progressivamente ao longo do próprio processo civilizatório, que olha para trás para entender o presente à luz do caminho já percorrido, e para aprender a desejar o futuro de forma ousada.

Entre indivíduo e nação há muitos grupos, nos quais memória pessoal e memória coletiva se apresentam diversas. Como dizer, nos dias que correm, que o sentimento de pertencimento à nação prevalece sobre as mediações e as oposições?

A existência humana é, essencial e definitivamente, dramática, pois que sempre busca uma verdade que lhe foge.
A narração exaustiva é impossível; pode-se sempre deslocar ênfases, reconfigurar protagonistas, e os contornos dela.

O perigo maior, nesse processo, está no manejo da história autorizada, celebrada, comemorada. Sete de Setembro?

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)