Eleições 2022

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O recolhimento do ex-deputado federal Jefferson ao presídio de Bangu, fechou, com chave de ouro - se assim posso dizê-lo - uma semana assaz movimentada no planalto central. Movimentada, mas não profícua, pois se votava na Casa Legislativa uma das muitas criatividades do Centrão, agrupamento de luminares políticos. Como o episódio foi descrito, exposto e avaliado na mídia não entrarei em análise mais profunda como certamente mereceria a arquitetura maior da abóboda política a se desenhar em Brasília. Bastaria dizer que, concebida como gêmeos xifópagos, Distritão e Coligacão, veio à luz apenas a Coligação, assim mesmo de parto prematuro, pois há indícios que seu cordão umbilical não será cortado pelo Senado Federal.

Chama a atenção porém não o fato, mas sua motivação, pois todos sabemos ser Distritão e Coligação codinomes de manobras eleitorais sempre tendentes a aprofundar a oportunidade de fazer das eleições populares um espetáculo cada vez mais distante da boa e sempre desejada sanidade política.
Não será preciso ter mestrado em contabilidade pública para perceber as arapucas financeiras a brotar como ervas daninhas no expansionismo do nosso já alentado cartel de partidos políticos nem igualmente ser diplomado como analista político pelos manuais de nosso filósofo político Olavo de Carvalho para sentir o odor fétido das simbioses e acasalamentos das coligações partidárias.

O que sim parece fazer soar um sinal de alarme é a estreita relação dessas novidades velhacas e malfadadas com outras já públicas e outras ainda em fase de estrumação com o claro objetivo de tornar as eleições presidenciais de 2022 tão carbono-poluentes como as batalhas navais de Formosa.

Ainda que o nosso impoluto PSDB tenha contribuído para quase tornar realidade as piores previsões sobre as surpresas dos conchavos, o resultado do voto do plenário da Câmara dos Deputados parece ter posto uma pá de cal na suspicácia sobre a confiabilidade de nossas urnas eletrônicas. Nunca se sabe, porém, a cepa de matemática usada nessas contagens políticas, pois há quem insista ter o voto a favor das cédulas de papel levado a melhor. Imagine se se aplica esta matemática sobre 150 milhões de cédulas de papel. Seria uma reeleição espetacular por mais de 290 milhões de sufrágios.

Creio toda esta celeuma absolutamente desnecessária. Admitida expressamente na Constituição de 1988, a reeleição do presidente da República não nos deveria espantar.

Nada mais justo que a vontade do povo em ver reconduzido ao palácio do Planalto um presidente cuja política, além de democrática e compatível com as normas constitucionais, tenha promovido o desenvolvimento nacional à já reconhecida ascensão do Brasil ao pódio das nações mais justas e solidárias do planeta.

Esta possibilidade é tão maior quanto mais admirada seja nossa política de saúde pública durante a peste do Covid-19, em nosso caso sequer discutível a unanimidade como é observada pela comunidade internacional e pela própria Organização Mundial da Saúde.

Nossa política externa, conduzida de forma hábil, nos granjeou igualmente a estupefação dos países do continente americano, da Europa e da Ásia e sempre recebemos com modéstia os reiterados pedidos de aproximação por parte dos maiores estadistas do mundo. Nunca visitaram Brasília tantos dignitários e estadistas e nunca nosso presidente foi tão convidado para participar de encontros internacionais restritos, ávidos por escutar a palavra solidária, bem pesada e sobretudo racional e iluminada sobre mudanças climáticas, desarmamento nuclear, direitos humanos, temas tão bem manejados por nosso líder maior. Recorde-se, a propósito, a intervenção de nosso grande estadista na Assembléia-Geral das Nações Unidas com linguagem sempre escorreita e sempre pertinente sobre os temas candentes das agendas internacionais.

A imprensa internacional, dia sim e outro também, transcreve pelo menos uma frase de nosso líder, embora algumas vezes sem compreender toda sua profundidade, fato atribuível a lamentáveis erros de tradução tão comuns numa imprensa mal-formada mundo afora.

Portanto, nada de angústias e atropelos. Já atravessamos o Rubicão. E sobretudo nunca devemos esquecer o que de nosso líder disse o Grande Estadista Donald Trump em Mar-a-lago: “My friend; você está no bom caminho. Tenha apenas uma precaução: não se deixe mascarar”.
E como dizia Nenen Prancha, filósofo do Posto 6, se mandinga ganhasse jogo, o campeonato baiano terminava empatado.

*Embaixador aposentado