Respeitar os fatos

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Respeitar os fatos,
se dar ao respeito.
Raymond Aron

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O Brasil tem abundância de recursos naturais e potencial para desenvolver setor comercial e industrial próspero. Hoje, no entanto, desempenha apenas pequeno papel - pouco mais de 1% - no comércio mundial e nos mercados globais.

Ficou para trás no desenvolvimento de infraestrutura que possibilite fluxo desimpedido de pessoas, bens e ideias. Que, de fato, exige melhorias substanciais na eficiência e competitividade em custos dos sistemas que sustentam o comércio.

No passado, o País geralmente desenvolveu infraestrutura através de planejamento centralizado e investimentos controlados pelo governo. Daí que a infraestrutura foi essencialmente planejada como um meio para alcançar fins geopolíticos.

Não basta infraestrutura física para garantir que seja deflagrado processo elevado de desenvolvimento econômico. O investimento em capital humano também é fundamental, feito em cinturões de desenvolvimento regionalmente orientados.

Cinturão de desenvolvimento cria oportunidade para concluir obra há muito reclamada - agora, ferrovia Norte-Sul; diferente da rodovia Transamazônica, obra inacabada, com deficiências de projeto - como traçado e drenagem, por exemplo.

Uma economia comparável em cada embarque, apta a assegurar crescimento de forma sustentada por bom tempo. A organização do desenvolvimento em cinturões enfatiza uso apropriado de cada área de terra, conforme vocação particular.

A política está impregnada de soluções rápidas que geram resultados para a próxima eleição. Respeitar os fatos, para além das manchetes, considera decisões estratégicas de longo prazo, apesar do público gostar de decisões rápidas.

* Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Multifoco, 2019)