Uma nova política

Nenhuma das condições é fatal
para o desenvolvimento econômico.
Jeffrey Sachs (2005)

Em 1944, num hotel próximo à estação de trem abandonada de Bretton Woods foi negociado um acordo que levou à criação do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, como instrumento de reconstrução da Europa pós-guerra.

Keynes, negociador britânico, reafirmou que as condições da troca comercial entre países não podem ser afetadas significativamente a menos que tanto os credores quanto os devedores sejam forçados a mudá-las. Propôs sistema engenhoso que visava persuadir países credores a fazer uso do dinheiro excedente de maneira que voltasse para os devedores.

O notável economista concebeu um sistema que automaticamente impedia o funcionamento de um círculo vicioso. Em vez de empréstimos temporários que virariam dívidas permanentes, e pequenas dívidas que se transformariam em grandes dívidas, o crédito e o débito se cancelariam mutuamente ao final de cada ano, mediante a Câmara de Compensação.

Posição oficial de negociação da Grã-Bretanha, foi acolhida favoravelmente pelos Estados Unidos, então maiores credores, que excluíram qualquer possibilidade de que países com superávits fossem obrigados a alterar termos do comércio.

Após 80 anos, a concepção de Keynes permitiria enfrentar a crise ambiental afeita ao sistema de comércio atual, que retroalimenta tanto um frenesi de superprodução de países pobres, quanto um consumo excessivo de países ricos.

O protecionismo é aplicado de forma extensiva a diversos setores da economia, mas sobretudo àqueles em que a propriedade intelectual constitui o fator determinante de valor - mídia, tecnologia da informação, medicamentos, biotecnologia.

Os múltiplos efeitos sistêmicos da pandemia do novo coronavírus, decorridos 18 meses, estão a exigir uma nova política.

Engenheiro, é autor de "Por Inteiro" (Editora Multifoco, 2019)