Pré-candidatos buscam partidos para expandir alianças e aumentar tempo de propaganda eleitoral

A um mês das convenções que decidem as chapas ao Planalto, a maior parte dos partidos que disputará a eleição em outubro ainda sonda nomes para candidatos a vice-presidente. A definição, entretanto, ficará para depois da Copa do Mundo. O tempo de propaganda de rádio e televisão é fator crucial nessa negociação. Isso porque o cálculo inclui o tamanho das bancadas eleitas para a Câmara dos Deputados. Pela nova lei, as convenções partidárias devem ocorrer de 20 de julho a 5 de agosto.

Marina Silva, pré-candidata da Rede, já deu o primeiro passo. Cogitado entre os integrantes do partido como possível candidato a vice, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, se colocou à disposição da presidenciável. Já o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sugeriu o presidente do PPS, Roberto Freire. Marina e Freire chegaram a se reunir, mas durante o  encontro – organizado pelo deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) – não falaram sobre formação da chapa. Na política brasileira, a tradição inspirada em Tancredo Neves, na década de 80, – que escolheu José Sarney como vice – é de que a decisão seja atribuição exclusiva do cabeça da chapa. 

No jogo do troca-troca eleitoral, o PPS estava comprometido em apoiar o pré-candidato do PSDB, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, mas não baterá o martelo sobre isso antes de agosto. Alckmin, por sua vez, também tem conversado com outros quatro partidos além do PPS: DEM, PSB, PSD e MDB. O ex-governador já sinalizou o interesse em ter um vice do Nordeste - região onde tem menor número de votos. Se houver acordo com o DEM, o ex-ministro da Educação e ex-governador de Pernambuco Mendonça Filho está entre os nomes mais prováveis, apesar de ele ter se lançado como candidato ao Senado. Até as convenções, entretanto, tudo é possível. O pré-candidato do PSDB reitera que não conversa com o MDB sobre uma aliança no plano nacional neste momento, uma vez que o partido tem candidatura própria, a do ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que por sua vez tem dificuldade em ver seu nome decolar nas pesquisas. 

Já o ex-senador Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos, tenta se viabilizar como um nome forte da centro-direita, e como alternativa a Alckmin. Ele quer um vice ou do DEM, do PRB, do Solidariedade, do PR ou do PP – o chamado centrão. A expectativa que prevalece, entretanto, é constituir chapa com o empresário Flávio Rocha (PRB), embora este também tenha se lançado como pré-candidato à Presidência. No DEM, Rodrigo Maia – que mantém diálogo de apoio a Álvaro Dias –, deve abrir mão da disputa para se reeleger presidente da Câmara. O objetivo inicial dos partidos do Centrão era ter um candidato único para outubro.

O PDT de Ciro Gomes também está entre as articulações possíveis do Democratas. Ciro, que tem crescido nas pesquisas eleitorais, não descarta a possibilidade de fazer aliança com partidos do centrão. As legendas de Ciro e dos candidatos do centro examinam nomes novos para o casamento eleitoral, como o do empresário Josué Gomes (PR), filho do ex-vice-presidente José Alencar. No radar do presidenciável do PDT também está o empresário paulista Benjamin Steinbruch, filiado ao PP. Contudo, tanto o nome de Steinbruch, como a aproximação de Ciro com empresários foram motivos de críticas da esquerda ao pré-candidato. O ex-ministro Carlos Lupi, presidente do PDT, defende que o ex-prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), seria um excelente vice para Ciro. Entretanto, Lacerda é candidato do PSB ao governo de Minas Gerais, e apesar de pressões, não se mostra disposto a recuar. 

O PT, que não abre mão da candidatura do ex-presidente Lula, tem três nomes em estudo para vice. Em primeiro lugar aparece o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como favorito. E em segundo estão o ex-ministro Celso Amorim e a presidente da sigla, Gleisi Hoffmann. 

O PR é o plano A do pré-candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro. O deputado federal – líder nas pesquisas em cenários sem Lula –, já declarou interesse pelo o senador capixaba Magno Malta. 

O senador confirmou ao JORNAL DO BRASIL que se for para beneficiar o presidenciável, aceitará o convite. Enquanto mantém o flerte com o PR, o ex-capitão trabalha com outros nomes na manga, como o do general Augusto Heleno (PRP), comandante das tropas brasileiras no Haiti, e o da advogada paulista Janaina Paschoal (PSL).