PF: empresa de coronel Lima atendeu a 'demandas da vida pública e privada' de Temer

Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), o delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito dos portos, Cleyber Malta Lopes, afirmou que a empresa Argeplan, do coronel aposentado da Polícia Militar de São Paulo João Batista Lima, teve a estrutura utilizada para atender a "demandas da vida pública e privada" do presidente Michel Temer.

"Os elementos colhidos indicam que a Argeplan e sua estrutura financeira e funcional por diversas vezes foi colocada em atendimentos de demandas da vida pública e privada do excelentíssimo presidente Temer", afirma o delegado no relatório enviado ao ministro do STF,  Luís Roberto Barroso.

No relatório, o delegado descreve os trabalhos feitos até agora, com destaque para a investigação sobre a reforma na casa da filha de Temer, Maristela Temer, que teve serviços pagos em dinheiro vivo. Ele chega à conclusão de que o decreto dos portos favoreceu empresas do setor.

"Há indícios robustos de que diversos dispositivos inseridos no normativo guardam questionamentos do ponto de vista legal e até mesmo constitucional, não restando dúvidas que tais alterações pleiteadas pelas empresas, encampadas por Rocha Loures [ex-deputado e ex-assessor de Temer, que chegou a ser preso] e editadas pelo excelentíssimo presidente da República extrapolavam a regularidade, estendendo benefícios ilegais às empresas concessionárias do setor portuário", diz o relatório.

Barroso autoriza que PF continue investigações em inquérito dos Portos

Barroso autorizou que a Polícia Federal dê continuidade às investigações no âmbito do inquérito do Decreto dos Portos até que a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, se manifeste sobre o pedido de prorrogação feito pela autoridade policial.

A decisão do ministro, relator do inquérito na Corte, atendeu a pedido desta quinta-feira, 28, do delegado Cleyber Malta Lopes, que solicitou uma nova prorrogação de 60 dias das investigações. O processo tem como alvo Temer e apura seu envolvimento na edição de medidas que poderiam ter beneficiado empresas do setor portuário.

"Sem prejuízo, considerada a véspera do recesso e o conteúdo da peça em que formulado o pedido, autorizo o Ilmo. Sr. Delegado de Polícia Federal, Dr. Cleyber Malta Lopes, a prosseguir com as diligências de investigação até que venha aos autos a manifestação da Procuradoria-Geral da República", escreveu Barroso.

No despacho em que autoriza a prorrogação e solicita à PGR que se posicione sobre o pedido, o ministro descreve que as investigações contam com um "volume expressivo de providências já tomadas e um conjunto relevante de informações obtidas". Esta é a terceira vez que a PF pede a prorrogação das investigações.

O inquérito investigava inicialmente, além de Temer, Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), ex-assessor do presidente e ex-deputado federal, Antônio Celso Grecco e Ricardo Conrado Mesquita, respectivamente, dono e diretor da Rodrimar. Ao longo da apuração, entraram também na mira João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, amigo pessoal do presidente, e executivos do Grupo Libra. Todos negam envolvimento em irregularidades.

Temer nega as acusações. A defesa do coronel Lima, que chegou a ser preso em março pela PF, divulgou a seguinte nota: "O Sr. Lima refuta veementemente todas as acusações e afirma que não cometeu ou participou de qualquer fato ilícito ou irregularidade".