DEM caminha para abrir mão da candidatura própria, mas ainda quer testar potencial de Alckmin

O Democratas caminha para abrir mão da candidatura própria para a Presidência da República e apoiar o candidato apresentado pelo PSDB. O partido ainda vai encomendar, antes de bater o martelo, uma pesquisa de tracking para verificar se realmente valerá à pena apostar as fichas em Geraldo Alckmin, o atual pré-candidato tucano, que não consegue decolar na preferência do eleitor brasileiro.

Pragmático, o presidente democrata Antônio Carlos Magalhães (ACM) Neto, prefeito de Salvador, tem sobre a sua mesa planilhas onde cruza as várias possibilidades de aliança que “não descartam ninguém”, segundo uma fonte que acompanha as negociações. O entendimento de Neto é que o momento ainda é de dialogar porque não há clareza sobre qual dos candidatos colocados tem mais chances de chegar ao segundo turno. Por isso, o presidente da sigla tem mantido tratativas tanto com o candidato de centro-esquerda, Ciro Gomes (PDT), quanto com Alckmin. Se bem que, pela coincidência programática, os encontros têm sido muito mais frequentes com o candidato paulista do que com o cearense, com quem só houve um encontro. 

ACM Neto também não descartou por inteiro a candidatura própria, mantendo como pré-candidato o presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Neste caso, o partido trabalharia para que o nome do centro fosse o democrata, e não o tucano. “Por enquanto, o candidato do DEM é o Rodrigo Maia. As pesquisas ainda não deixam claro qual dos candidatos de centro terá mais chances de chegar ao segundo turno”, defende Neto.

As incertezas do presidente do DEM se justificam pelo entendimento de que historicamente Geraldo Alckmin não consegue decolar nas campanhas, e este ano o cenário parece se repetir. Por isso, integrantes do DEM e outros partidos da chamada centro-direita pressionam para que os tucanos desistam de indicar o ex-governador de São Paulo e substituam Alckmin por uma liderança política que tenha mais apelo junto ao eleitorado. O nome mais citado é o do ex-prefeito da capital paulista, João Dória, que é citado como favorito para o governo de São Paulo.

Hoje, em Brasília, haverá reunião da Executiva Nacional do PSDB, para comemorar os 30 anos de fundação do partido. Na pauta também está a discussão sobre a proposta de Resolução de definição dos critérios para aplicação dos recursos financeiros do Fundo Especial de Financiamento de Campanhas (FEFC), que deve ser enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o partido tenha acesso aos recursos do fundo. A formação da ampla aliança, porém, também estará em discussão.

O secretário-executivo do partido, deputado Marcus Pestana (MG), é o principal articulador da formação 

de uma frente suprapartidária que convirja para o centro. “O diálogo está avançando e a tendência é que os partidos de direita alcancem esta convergência que vai impedir a radicalização no segundo turno”, afirma Pestana.