Padilha, Marun e Etchegoyen viram porta-vozes do governo sobre a greve dos caminhoneiros

Três ministros ganham destaque no cenário nacional desde que o setor de transportes paralisou o país, há dez dias. São eles o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o ministro da secretaria de Governo, Carlos Marun, e o ministro–chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sergio Etchegoyen. Os três são coordenadores do Grupo de Acompanhamento da Normalização do Abastecimento, batizado de comitê da crise do abastecimento.

Instalado no início do movimento grevista, o grupo se reúne duas vezes por dia. A primeira reunião se dá às 10h. para traçar a estratégia de ação para o dia. A segunda ocorre às 18 horas, para fazer o balanço das ações. Outras autoridades participam eventualmente das reuniões, dependendo do assunto em questão. Os mais frequentes são os ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, da Segurança Pública, Raul Jungmann, e, desde que os militares passaram a garantir o transporte de combustível, o interino da Defesa, Joaquim Silva e Luna. Representantes da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Federal também costumam comparecer.

Cabe ao triunvirato intermediar as negociações entre o Planalto, o Legislativo e os interlocutores representantes de transportadoras e caminhoneiros. São eles os porta-vozes definidos para falar com a imprensa. “O ministro-chefe da Casa Civil, como órgão que coordena todas as ações do governo, representa no grupo a própria Presidência. O ministro da secretaria de governo é o responsável pela articulação com o Legislativo e o movimento grevista”, diz um assessor do Planalto. 

Chama atenção a presença do ministro Etchegoyen no núcleo duro, algo incomum em comitês deste tipo. Segundo observadores, a inclusão do general na coordenação aumenta a tensão num momento em que há, na atmosfera nacional, o temor quanto à soberania nacional e à garantia do estado democrático de direito. O normal seria que o ministro agisse nos bastidores, na inteligência, municiando o presidente, e não falando à imprensa. Ontem, após a reunião da manhã, Etchegoyen minimizou a ação de grupos que pedem a intervenção militar ao dizer que isso “é assunto do século passado”.

Por outro lado, não faz parte do grupo o ministro de Minas e Energia, Moreira Franco. Ele participou de uma ou duas reuniões apenas. O caos nacional entra hoje no décimo dia sem a sinalização de trégua. Pior, sob ameaça de greve entre os petroleiros.

Apesar de governo ter cedido em todas as reivindicações dos caminhoneiros, o grupo não foi capaz de debelar a crise. Como forma de pressão, o presidente Michel Temer chamou ao Planalto os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Eunício Oliveira, para juntos assinarem uma nota oficial dos Poderes Executivo e Legislativo apelando para que os caminhoneiros retornem ao trabalho. 

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MARUN

Carlos Marun (MDB), membro da “tropa de choque” de Eduardo Cunha, foi o principal artífice das manobras que protelaram a cassação do ex-presidente da Câmara. Votou pelo impeachment de Dilma e a favor da PEC do Teto dos Gastos e da Reforma Trabalhista. Foi contra o processo que pedia abertura de investigação do presidente Temer. Em seguida, foi escolhido para chefiar a Secretaria de Governo. Contra ele, pesa um processo de desvio de recursos. Marun nega as acusações.

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PADILHA

Eliseu Padilha, o homem de confiança de Temer, já foi citado dezenas de vezes na Lava Jato. Exerce pela terceira vez a função de ministro de Estado. Foi deputado federal por cinco mandatos. Ministro dos Transportes no governo de FHC, secretário de Aviação Civil no governo Dilma, na sequência assumiu a Casa Civil, logo que Temer chegou à Presidência. Peça-chave na articulação política do governo, Padilha, em outros processos, é acusado de grilagem e crime ambiental.

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ETCHEGOYEN

Sérgio Etchegoyen, atual ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, vem de uma família que está há 99 anos no Exército: são três gerações de generais. Em 2014, classificou como “leviano” o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que trazia os nomes de seu pai e de seu tio entre os 377 agentes do Estado que atuaram a favor da tortura. O general tem controle sobre a Abin, o que o deixa no comando do sistema de informações do governo.