PT diz que vai com Lula até o fim

Partido garante que não irá sucumbir a pressões por plano B

A despeito da situação jurídica do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba há mais de um mês, o PT afirma que não irá sucumbir às pressões internas e externas para colocar em prática um plano alternativo à sucessão de outubro. A ordem unida é registrar o nome de Lula e lutar juridicamente para garantir sua liberdade e a sua candidatura. Possíveis revezes, como a impugnação definitiva da candidatura do ex-presidente, só serão discutidos na hora em que eles estiverem sobre a mesa. “Se chegar lá na frente e não tiver jeito, essa é uma decisão que o Lula vai tomar com a direção. Mas nós acreditamos que é possível, sem dar esse revés”, afirma a presidente da legenda, Gleisi Hoff mann (PR). 

O ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho (SP) também voltou a refutar qualquer aliança no primeiro turno, seja com o candidato do PDT, Ciro Gomes, ou com qualquer outro nome do campo da esquerda. “Vamos até onde for, mas o candidato é Lula. Quem insistir nisso (no plano B) não tem sentido”, acrescenta Marinho. “Nós temos o Neymar machucado, tem que inscrever o Neymar na seleção agora. Alguém vai lá e diz: ‘mas o Neymar corre risco de não estar pronto na Copa’, então vamos substituir o Neymar. Não se discute isso, pega o Neymar e vamos trabalhar para ele estar pronto. O Lula é isso”, diz o ex-prefeito, ao recorrer a uma analogia futebolística para exemplificar a decisão petista. “Seria gastar agora uma energia desnecessária, sendo que não há consenso dentro do PT sobre quem seria a alternativa a Lula”. 

O PT vai utilizar as brechas da Lei da Ficha Limpa para levar a candidatura adiante, como já aconteceu em centenas de outras disputas. O Artigo 26-C diz que a inelegibilidade pode ser derrubada até a diplomação. Enquanto houver recurso em instâncias superiores, o candidato pode participar do processo eleitoral. “O Lula é o nosso candidato, é ele que tem votos, é ele que tem força e é ele que pode consertar o Brasil e tem, legalmente, condições de disputar. Ele está em pleno gozo dos direitos políticos”, enfatiza Marinho. “Na nossa avaliação não tem como dar errado. Nós estamos convencidos de que até lá vamos ter tirado ele desta situação”, completa o ex-prefeito, afirmando que há ainda chances de o Supremo Tribunal Federal (STF) rever a atual condição de Lula ou voltar a discutir a prisão após segunda instância. 

O PT dá início na semana que vem a reuniões para organizar a pré-campanha mesmo sem Lula presente. A estratégia é dividir as lideranças que vão percorrer o país para falar em nome do ex-presidente e divulgar o programa de governo, que já está sendo discutido e é coordenado pelo ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. A legenda irá colocar representantes, dependendo do tema e do local, em debates e exposições. Para garantir a participação em entrevistas, o PT entrou ontem com representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pois a legenda ficou de fora de encontros já agendados na mídia.