Temer fica mais longe das urnas

Sob investigação da PF, presidente vê o fi m do sonho da reeleição

Venceu em abril o prazo dado pelo presidente Michel Temer no início do ano para anunciar se seria ou não candidato à reeleição. Embora esteja patente a impossibilidade de lançar o seu nome, o presidente e o seu partido, o MDB, insistem em postergar a decisão. São vários os motivos que fazem derreter a candidatura do presente. O mais eloquente é o seu envolvimento nas investigações que apuram irregularidades na publicação do decreto dos Portos, que teria favorecido o Grupo Rodrimar, que opera o Porto de Santos.  

Ontem, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal , complicou ainda mais a situação de Temer, ao negar o pedido de arquivamento das investigações, feito pela sua defesa em janeiro. Na decisão, Barroso ainda atendeu ao pedido da Polícia Federal para prorrogar a apuração por mais 60 dias. De acordo com o Ministério Público Federal, há indícios de que o ex-assessor da Presidência, Rodrigo Rocha Loures, indicou nomes da Rodrimar para intermediarem o pagamento de propinas a ele e ao próprio Temer. O presidente insiste, contudo, que não tem nada a temer. À rádio CBN, ele afirmou que não teme ser preso ao fim do mandato, em janeiro de 2019. No MDB o que se diz é que duas razões levariam Temer a ainda alimentar uma chama de esperança em sua candidatura. A primeira delas é a necessidade de usar o tempo de propaganda eleitoral para se defender das denúncias que sofre, já que o tema será pauta intensificada nos próximos meses, com a possibilidade de apresentação uma terceira denúncia na Câmara Federal. A segunda razão está ligada à vaidade pessoal de querer imprimir as marcas do governo durante a campanha e, quem sabe, na próxima gestão. 

Por isso, ele prossegue dando tom de campanha aos discursos que faz na companhia de seu ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também não descartado como uma possibilidade emedebista. No entanto, a decisão do partido de não apresentar candidato algum “é uma questão de dias”, como diz um integrante do partido. “A candidatura Temer é inviável”, acrescenta.

“Muito provavelmente a saída de Temer será pela porta dos fundos”, comenta o cientista político David Fleischer ao observar que a situação do presidente tende a se complicar até o fim da gestão, com o aprofundamento as denúncias. “Ele se enrola cada vez mais”, diz Fleischer citando também o depoimento da sua filha, Maristela Temer à Polícia Federal, no qual admitiu que a mulher do coronel Lima, investigado na Lava Jato, patrocinou a reforma de sua casa. 

O próprio presidente contou, em entrevista ao programa Poder esem Foco, do SBT, que parte da reforma da casa foi feita com dinheiro do coronel. Segundo delatores da JBS a reforma foi fruto de propina de R$ 1 milhão entregue a Lima. Fleischer também não acredita na indicação de qualquer outro nome do MDB para a Presidência da República ou mesmo na composição outro partido. “Meirelles, que é o outro nome colocado, não decola. Além disso, não existe partido disposto a ter o MDB como vice. Esta candidatura estaria sempre atrelada ao estigma que tem acompanhado o partido ultimamente, com várias denúncias de corrupção”, avalia Fleisher.