MPF e PF vão investigar se diretores da Refer receberam propina

O Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ), a Polícia Federal (PF) e a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) vão investigar se diretores do fundo de pensão da Fundação Rede Ferroviária de Seguridade Social (Refer), presos na operação deflagrada nesta terça-feira (8), receberam propina para realizar investimentos considerados ruinosos, após a mudança na política de investimentos do fundo, em 2009.

Segundo o MPF, a má gestão causou prejuízo de R$ 270 milhões ao fundo de pensão dos empregados da extinta Rede Ferroviária Federal.

O MPF afirma que pelo menos onze investimentos foram realizados pelos investigados sem que fossem observados os princípios de segurança, solvência, liquidez e rentabilidade e transparência, determinados em resolução do Conselho Monetário Nacional, em 2009.

A 3ª Vara Criminal Federal decretou quatro mandados de prisão temporária, por cinco dias, e seis de busca e apreensão. Os alvos são o diretor-presidente, o diretor-financeiro, o coordenador de investimento e uma ex-diretora de seguridade. Também foi determinada a apreensão do passaporte dos investigados, cujos nomes não foram revelados.

Medidas cautelares

Segundo o Ministério Público, as medidas cautelares são necessárias para que se investigue se a gestão, classificada de temerária ou fraudulenta, teve como contrapartida o recebimento de propina e o desvio de recursos do fundo para o patrimônio particular de pessoas jurídicas beneficiadas pelos investimentos.

A investigação aponta que a gestão dos alvos da operação promoveu mudanças na política de investimentos do fundo em 2009, com o objetivo de afrouxar o processo decisório de investimentos.

A Operação Fundo Perdido ocorre como desdobramento da Operação Greenfield, deflagrada em 5 de setembro de 2016. Na época, foram revelados desvios bilionários dos fundos de pensão, bancos públicos e estatais estimados, inicialmente, em R$ 8 bilhões.