Polícia prende amigos de Temer em investigação sobre portos

Ao menos quatro amigos do presidente Michel Temer foram presos nesta quinta-feira no âmbito de uma investigação sobre supostas irregularidades na concessão e administração de instalações portuárias, informou a imprensa.

Os detidos são José Yunes, advogado, amigo e ex-assessor do presidente; o ex-coronel da Polícia Militar João Batista Lima, também amigo de Temer; o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi e Antônio Celso Greco, dono da empresa Rodrimar.

As prisões temporárias de até cinco dias foram decretadas pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no âmbito da Operação Skala. O processo corre sob segredo de Justiça.

A operação foi autorizada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga se Temer recebeu propina para emitir em maio de 2017 um decreto beneficiando empresas do setor portuário.

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Imagens das prisões realizadas pela Polícia Federal no Rio de Janeiro e em São Paulo foram exibidas pela televisão. 

A PF indiciou que não comentará a operação por ordem do STF.

O advogado de Yunes, José Luis Oliveira Lima, considerou, em nota, "inaceitável a prisão de um advogado com mais de 50 anos de advocacia, que sempre que intimado ou mesmo espontaneamente compareceu a todos os atos para colaborar. Essa prisão ilegal é uma violência contra José Yunes e contra a cidadania".

Os advogados de Temer sustentam que o decreto presidencial apenas validou concessões iniciadas em 1993 e atribuídas através de licitações.

As investigações começaram em 2017 com base nas delações premiadas de executivos do grupo J&F, dono da JBS. As revelações já levaram a duas denúncias contra Temer, mas rejeitadas pela Câmara dos Deputados.

O chamado Decreto dos Portos estendeu de 25 a 35 anos os prazos dos contratos de concessão e aluguel de instalações portuárias.