Mais nove ministros se despedem para disputar eleições; Temer negocia novos nomes com aliados

A debandada de ministro do governo, por exigência da legislação eleitoral, continuou ontem. O ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP-PR), entregou ontem ao presidente da República, a sua carta de demissão. E o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, que havia se comprometido, ao assumir o cargo em dezembro,  a permanecer até o fim do governo, indicou ontem que também vai se afastar para tentar a reeleição à Câmara. Outro ministro que sai esta semana é o titular dos Transportes, Maurício Quintela. Eles se somam a quatro ministros já afastados e substituídos por seus secretários executivos.

Para a semana que vem, é esperado um número ainda maior de exonerações, todas em função do prazo de desincompatibilização para se habilitar às eleições de outubro. Além da saída de Henrique Meirelles, já confirmada por Temer, vão deixar o governo  os ministros de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho (MDB), das Comunicações, Gilberto Kassab (PSD), que pode ser vice na chapa à Presidência de Geraldo Alckmin, da Integração Nacional, Helder Barbalho (MDB), do Esporte, Leonardo Picciani (MDB), do Turismo, Marx Beltrão (MDB),  da Educação Mendonça Filho (DEM),  do Desenvolvimento Social, Osmar Terra (MDB) e o do Meio Ambiente, Sarney Filho (PV). 

Por enquanto, o governo não procurou substitutos efetivos para os ministros que saem, O que só será feito ao fim do prazo de desincompatibilização. Mas Temer já mantém conversas com os partidos da base aliada. “O presidente Temer está conversando para ver quais são os partidos que vão estar com ele”, diz o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, que acompanha as negociações. “A ideia é manter o bloco de apoio ao governo”, completa, salientando que, nas negociações pode haver troca de comandos de ministérios, entre os partidos, mas mantendo a quantidade para cada um. 

Segundo Padilha, Temer trabalhará para garantir, entre os atuais aliados, a mesma base de apoio. “Com a base atual, a coligação teria mais de 50 por cento do tempo de televisão. Assim, estariam garantidas também todas as condições para termos a maioria na Câmara e no Senado”, comenta o ministro.  

Ao entregar a carta de demissão, Ricardo Barros estava acompanhado pelo presidente do seu partido, Ciro Nogueira (PP-PI). Ele e Temer conversaram sobre um novo ministro para a Saúde, mas não houve entendimento. Enquanto isso, assume o interino, Antônio Carlos Figueiredo Nardi. Além da Saúde, o partido detém, na atual formatação do ministério de Temer, a pasta da Agricultura, com Blairo Maggi, e a Caixa Econômica Federal, cujo presidente Gilberto Occhi chegou a ser cotado para assumir o lugar de Barros, mas ontem negou ter sido consultado.

As negociações passam não apenas pela manutenção do apoio ao governo até o final do mandato, mas também pela composição da chapa para a corrida eleitoral deste ano. Ciro Nogueira já declarou que apoiará o candidato do Democratas para Presidência, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). 

Barros, que pretende se candidatar à reeleição para deputado federal, preferiu não esperar até a semana que vem – quando termina o prazo para ocupantes de cargos público se desligarem do governo para concorrerem às eleições – porque pretende retornar já à Câmara, onde deseja presidir a Comissão Mista de Orçamento e Finanças. 

A instalação da comissão está prevista para hoje.  Por isso, Barros pediu ontem a exoneração. “Agradeci ao presidente pela oportunidade que tive de contribuir para a gestão do ministério da Saúde. Considero muito gratificante a oportunidade de gerir o Sistema Único de Saúde (SUS) e poder fazer tantos avanços que não são da minha iniciativa, mas pactuados com estados e municípios”, disse Barros ao anunciar a sua saída.