Transferência do controle da Embraer não está em cogitação, diz Temer

Michel Temer afastou nesta sexta-feira (22) a possibilidade de venda da Embraer. Em café da manhã com jornalistas, no Palácio da Alvorada, o presidente e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, informaram que a transferência do controle da empresa para a Boeing não é cogitada. "Toda parceria é bem-vinda. O que não está em cogitação é a transferência do controle", declarou Temer.

O ministro Jungmann explicou que o governo vê com bons olhos o interesse de outras companhias em fazer parcerias com a Embraer, mas que não cogita autorizar a venda porque a empresa está no centro de um projeto de soberania nacional. Ele destacou que, caso fosse vendida, uma empresa estrangeira passaria a ter controle de projetos importantes para o país como o programa dos caças Gripen NG, dos caças Embraer EMB-314, chamado de Super Tucano, além da transferência de tecnologia relacionada ao satélite estacionário brasileiro.

“Isso tudo é soberania e interesse nacional, nós não podemos negociar soberania e interesse nacional. No entendimento deste governo do presidente Temer, soberania é inegociável. Agora, todo o restante, que seja bom para a empresa, que ajude a aumentar as vendas, será bem-vindo”, disse o ministro.

Na véspera, a notícia de que a fabricante de aeronaves norte-americana Boeing estaria negociando a compra da Embraer agitou os mercados. A informação foi divulgada pelo jornal Wall Street Journal e confirmada pelas empresas em nota.

A Embraer tem um valor de mercado de cerca de US$ 3,7 bilhões, e foi apresentada pelo Wall Street Journal como "a joia da coroa da indústria brasileira". As ações da Embraer subiram 22,5% nesta quinta-feira após a confirmação de que negocia a fusão com a Boeing. Mais cedo, os papéis chegaram a subir mais de 40%.

A possível negociação ocorre após as principais concorrentes - Airbus e Bombardier - se unirem. Boeing e Embraer já são parceiras em projetos e mantêm um centro de pesquisas conjunto sobre biocombustíveis para aviação em São José dos Campos desde 2015.

Em comunicado conjunto publicado nesta quinta-feira (21) pela Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (Securities and Exchange Commission), a Embraer e a Boeing informaram que estão em tratativas a respeito de uma “potencial combinação”. De acordo com o texto, as bases da negociação ainda estão em discussão.

O comunicado informa ainda que a transação estaria sujeita à aprovação do governo e agências reguladoras do Brasil, bem como dos respectivos conselhos e dos acionistas da Embraer. 

Em comunicado conjunto, Boeing e Embraer confirmaram negociação:

Boeing e Embraer confirmaram hoje que as duas companhias encontram-se em tratativas em relação a uma potencial combinação de seus negócios, em bases que ainda estão sendo discutidas. Não há garantia de que qualquer transação resultará dessas discussões. Boeing e Embraer não pretendem fazer comentários adicionais sobre essas discussões.

Sindicato dos Metalúrgicos defende veto

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos divulgou nota nesta quinta-feira (21) defendendo o veto do governo federal à venda da Embraer:

A possibilidade de compra da Embraer pela norte-americana Boeing, conforme noticiado pela imprensa, nesta quinta-feira (21), é repudiada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas.

Única fabricante brasileira de aviões e terceira maior do setor no mundo, a Embraer é estratégica para o país e não pode ser vendida para capital estrangeiro. Exigimos que o governo federal vete a venda e, enfim, reestatize a Embraer como forma de preservar e retomar este patrimônio nacional.  

 Ainda segundo informações divulgadas pela imprensa, a concretização das negociações depende da palavra do governo, que detém ações de classe especial (golden share) da Embraer. Isto mostra que as negociações já vêm de longo tempo, longe dos olhos da população.

A Embraer emprega hoje cerca de 16 mil trabalhadores no Brasil e já vinha adotando uma profunda política de desnacionalização da produção. A venda para a Boeing vai comprometer esses postos de trabalho e a própria permanência da fábrica no país.

É importante relembrar que, no dia 19 de julho, o Ministério da Fazenda solicitou consulta ao Tribunal de Contas da União sobre a possibilidade de abrir mão das ações golden share da Embraer, Vale e IRB-Brasil Resseguros. Sem essas ações, o governo perde o poder de veto sobre essas empresas.

No caso da Embraer, a golden share confere poder de veto em questões como venda, programas militares e acesso à tecnologia.

Como representante dos trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos reafirma sua posição em favor do veto à venda da Embraer e sua reestatização.

>> Boeing negocia aquisição da Embraer, diz Wall Street Journal

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Com Agência Brasil