Bretas volta a interrogar Cabral após polêmica da transferência para presídio federal

Semana passada, descoberta de instalação de "cinema VIP" na prisão também repercutiu

O ex-governador Sérgio Cabral será interrogado nesta quarta-feira (8) pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, duas semanas após as discussões que acabaram culminando com o pedido de transferência de Cabral para um presídio federal. A transferência acabou suspensa por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

O interrogatório desta quarta-feira diz respeito à Operação Fatura Exposta, que apura desvios na Saúde. Além de Sérgio Cabral serão ouvidos os operadores Carlos Miranda e Luiz Carlos Bezerra, seu ex-subsecretário Cesar Romero Vianna Junior e seu ex-secretário Sérgio Côrtes.

Também vão ser ouvidos os empresários Miguel Iskin e Gustavo Estellita. Fornecedores de próteses, os dois teriam sido beneficiados em contratos de dinheiro público que foi desviado. De 2006 a 2017, grupo teria desviado R$ 300 milhões.

Cinema VIP

Na semana passada, o Ministério Público também descobriu que seria instalado um "cinema" VIP no presídio onde o ex-governador está - Cadeia Pública José Frederico Marques. Inicialmente as informações eram de que os equipamentos teriam sido doados por uma igreja, mas a própria igreja negou e afirmou que Cabral havia pedido aos pastores que assinassem um termo de doação falso. A instalação do cinema acabou cancelada.

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Transferência

Durante o interrogatório no qual Bretas e Cabral se desentenderam, o ex-governador afirmou que a denúncia contra ele era "um roteiro mal feito de corta e cola". Ele fez a insinuação sobre o suposto negócio do ramo de bijuterias da família de Bretas após as primeiras perguntas feitas a ele sobre a denúncia de compra de joias com dinheiro de propina. O ex-governador ainda chegou a dizer que Bretas falava dele de maneira "desdenhosa". "Aqui não há desdém", rebateu o juiz.

"Comprei joias com fruto de caixa dois, não foi de propina. Meu governo não foi organização criminosa. Mudou a vida de milhões de brasileiros que moram no Rio. Não me sinto chefe de organização criminosa nenhuma. Eu estou sendo injustiçado. O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal, e me fazendo um calvário, claramente", disse o ex-governador.

Cabral afirmou que os empreiteiros não pagavam propina. “Não é verdade que empreiteiro dê dinheiro antecipado por qualquer coisa. Fiz a campanha 2006 e sobraram recursos de campanha. O dinheiro que Carioca me deu não tinha vínculo com obras”. O ex-governador afirmou ainda que o seu erro foi o caixa dois. Cabral chegou a chorar ao dizer novamente que as mudanças de financiamento de campanha são prejudiciais à política. “Por mais que tenha me exasperado com o senhor [Bretas] aqui, por mais que ache injustiça o que o MP faz, que fique indignado com as matérias que saem nos jornais, prefiro muito mais ser acusado num sistema democrático, ser massacrado, do que um sistema autoritário”, disse.