'Le Monde' questiona condenação de homens por terrorismo na Olimpíada 

Jornal lembra que na ocasião Ministro da Justiça chamou acusados de 'amadores" 

Matéria publicada pelo Le Monde nesta sexta-feira (5) conta que o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, proferiu na tarde desta quinta-feira sentença condenando os oito brasileiros denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por fazerem parte de uma célula da organização terrorista Estados Islâmico (EI) no Brasil. 

O texto lembra que o grupo foi desmantelado em julho do ano passado, quando a Polícia Federal prendeu doze pessoas acusadas de fazer parte da mesma célula, durante a Operação Hashtag — ocorrida duas semanas antes da abertura da Olimpíada do Rio de Janeiro.

A maior pena, de 15 anos e 10 meses, foi imposta ao líder do grupo, Leonid El Kadre, de 33 anos, acrescenta Monde. Segundo o juiz, não restam dúvidas da ascendência dele sobre os demais. Nas mensagens interceptadas pela Polícia Federal, El Kadre era quem dava as ordens para os outros seguidores. Também coube a ele o principal papel de recrutamento de adeptos, alguns deles menores de idade. Por essa razão, ele também foi condenado pelo crime de corrupção de menores.

"Amadores" de acordo com o Ministro da Justiça

Le Monde aponta que Leonid El Kadre, é acusado de ter celebrado ataques reivindicados pelo Estado Islâmico e prometeu lealdade ao grupo terrorista em três diferentes perfis do Facebook.

Sua advogada, que também é sua mãe, diz que não existem provas que ele cometeu nenhum tipo de crime. "Eles não têm nada sobre ele", disse ela à Associated Press, avisando que iria recorrer e "tira-lo de lá." Seu filho estaria em greve de fome há mais de um mês.

Nenhuma ação terrorista concreta foi realizada, diz o periódico. O acusado foi pego tentando comprar por e-mail uma arma AK47, no Paraguai. 

O ministro da Justiça na época, Alexandre Moraes tinha qualificado como "amadores", mas justificou a ação policial pelos atos de "lobos solitários" na Europa e nos Estados Unidos.

A lei aprovada pelo Congresso em março de 2016 sob a presidência de Dilma Rousseff, ampliou o cetro de ações consideradas como terrorismo. "Por defender o terrorismo" a pena pode chegar a até oito anos de prisão, enquanto "aderir a uma organização terrorista" pode variar de dez a vinte anos de prisão, informa o diário.

As associações de defesa dos direitos humanos expressaram preocupação depois da votação desta lei que não define claramente o terrorismo, abrindo a porta a tais sanções contra os manifestantes fazendo uso de sua liberdade de expressão, finaliza o noticiário.

> > Le Monde