'The Wall Street Journal': Delação da Odebrecht pode paralisar governo Temer, diz cientista político

Reportagem diz que depoimentos envolvem aliados do presidente e mais de cem

O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou matéria nesta terça-feira (30) sobre a decisão da presidente da Suprema Corte do Brasil, que aceitou um pleito feito por funcionários atuais e ex-funcionários da construtora Odebrecht, que inclui depoimentos envolvendo aliados do presidente Michel Temer em irregularidades relacionadas à investigação Lava Jato.

A reportagem fala que muitos no país esperam que os detalhes da delação quando finalmente liberados, atinjam em cheio a administração de Temer. Pessoas familiarizadas com o testemunho dizem que isso implicará mais de 100 políticos, incluindo alguns próximos ao presidente Temer.

Temer disse que a presidente do Tribunal, Cármen Lúcia, agiu corretamente e fez o que tinha que fazer ao aceitar o acordo. O presidente não comentou suas possíveis implicações, mas no passado negou qualquer irregularidade.

> > The Wall Street Journal Brazil’s Supreme Court Authorizes Odebrecht Plea Deal

O presidente, cujos índices de aprovação se mantiveram próximos de 10% desde que substituiu a ex-presidente Dilma Rousseff após sua deposição por um processo de impeachment em 2016, está trabalhando para impulsionar o Congresso com uma série de reformas controversas destinadas a controlar os gastos e reduzir o déficit, acrescenta o Journal.

O acordo de delação "poderia afetar a capacidade de governar de Temer, porque pode haver muitos nomes de muitos de seus aliados", disse Thiago de Aragão, cientista político da consultoria Arko Advice em Brasília. "Isso pode paralisar o governo."

A investigação da lavagem de carros, manipulação de licitações e suborno na Petrobras, resultou na prisão, julgamento, condenação e sentença de dezenas de executivos das empresas de construção envolvidas, relata o jornal de finanças.

O presidente-executivo da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, foi preso em 2015 e no ano passado foi condenado por lavagem de dinheiro, corrupção e conspiração, sendo condenado a 19 anos. Com a aprovação de seu testemunho, ele será solto da prisão até o final deste ano, embora com restrições em seus movimentos, disse uma pessoa próxima a Marcelo Odebrecht. O presidente da Odebrecht, e o pai de Marcelo, Emilio Odebrecht também prestaram depoimento como parte do acordo, disse a pessoa. 

A empresa de construção foi fortemente atingida pela Lava Jato, perdendo contratos com a Petrobras e em outros países da América Latina. A autorização do acordo foi homologado pela juíza Cármen Lúcia, menos de duas semanas após a morte do relator do processo em um acidente de avião na costa do Estado do Rio de Janeiro.

Wall Street Journal lembra que Zavascki tinha sido encarregado de revisar e, em seguida, aprovar ou rejeitar o testemunho de 77 executivos atuais e anteriores ligados à Odebrecht, que no mês passado assinaram um acordo de leniência com autoridades dos EUA, Brasil e Suíça.