'El País': Justiça complica caso de assessor de Macri com Odebrecht

Presidente argentino insiste em defender seu amigo e se recusa a tirá-lo do cargo

A trilha da corrupção da brasileira Odebrecht deixou rastros por quase toda a América Latina, afetando três presidentes do Peru, está complicando também o verão do Governo de Mauricio Macri, embora ainda não se tenha nada comprovado, afirma matéria publi8cada nesta quinta-feira (26) pelo jornal El País. 

Segundo a reportagem o chefe da espionagem argentino, Gustavo Arribas, um amigo milionário do presidente que estava envolvido na venda de jogadores de futebol antes de se tornar responsável pela parte de espionagem do governo, foi forçado a ir ao tribunal para tentar esclarecer as transferências estranhas que Leonardo Meirelles fizeram a sua pessoa, que seriam suas propinas pagas pela Odebrecht. 

> > El País La justicia complica el caso del jefe de los espías argentinos y sus vinculaciones con Odebrecht

Tocar Arribas é chegar bem próximo ao coração do presidente Macri, analisa o diário El País. A sua proximidade é tanto que o presidente permite o de ficar como inquilino em seu apartamento de mais de 300 metros quadrado na Avenida del Libertador, zona nobre de Buenos Aires, quando se mudou para a residência oficial de Olivos. Quando La Nacion publicou a notícia com transferências de cerca de US $ 600.000, o governo reagiu com indignação. 

El País destaca que Macri chegou a se manifestar pessoalmente em defesa de seu amigo. Arribas insiste que só recebeu uma transferência de US $ 70.000 pela compra de um apartamento, sem qualquer relação com a Odebrecht. Mas no momento ele não quer dar até mesmo o nome do comprador -alega que pediu "sigilo" - e não fornece qualquer documento oficial que comprove essa operação.

Até agora era uma batalha entre uma reportagem de jornal e um Governo indignada reagindo duramente. Mas agora as coisas ficaram complicadas para Arribas, o executivo especial de Macri. 

A confusão clássica da política Argentina, onde todas as estradas parecem conduzir a espionagem, é neste caso um problema para Macri, porque independentemente de lutas políticas dentro do grupo que apóia o governo, se a justiça prossegue, e o promotor Federico Delgado parece disposto, a posição de Arribas está em perigo. 

Macri insiste em defender o seu amigo e se recusa a tirá-lo do cargo, mesmo que temporariamente, finaliza El País.