MPF acusa Palocci de atuar de forma "ilícita" para beneficiar Grupo Odebrecht

Informação consta em delação premiada do senador cassado Delcídio do Amaral

O Ministério Público Federal (MPF) acusa o ex-ministro Antonio Palocci de atuar de forma "ilícita" para beneficiar o grupo Odebrecht na contratação de estaleiros nacionais pela Petrobras. Os estaleiros atuam na construção de plataformas e navios-sonda em campos de pré-sal. O negócio de mais de US$ 21 bilhões envolveu a criação da empresa Sete Brasil.

A informação consta em denúncia contra o petista que deve ser analisada nesta semana pelo juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato na 1.ª instância, em Curitiba, de acordo com o jornal O Estado de S.Paulo desta quinta-feira (3) e está baseada na delação prestada pelo senador cassado Delcídio do Amaral (sem partido-MS). O ex-parlamentar afirmou, em outubro, que Palocci participai da formação da Sete Brasil, mesmo fora do governo, em 2011.

Na última sexta-feira (28), Palocci e mais 14 pessoas foram denunciadas pelo MPF no Paraná  pelos crimes de corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia tem por base as apurações realizadas na 35ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada no dia 26 de setembro, que resultou na prisão de Palocci.

Segundo o MPF, o ex-ministro e a empreiteira Odebrecht estabeleceram, entre 2006 e 2015, um "amplo e permanente esquema de corrupção" que envolvia pagamento de propinas destinadas "majoritariamente ao Partido dos Trabalhadores (PT)". A denúncia afirma que Palocci atuou de modo a garantir que a empresa vencesse uma licitação da Petrobras para a contratação de 21 sondas. Marcelo Odebrecht, ex-presidente da empresa, condenado na Lava Jato a 19 anos e quatro meses de prisão, também aparece entre os denunciados.

Também em sua delação, Delcídio afirmou à força-tarefa da Lava Jato que Palocci era o “software”, que pensava os projetos do governo em benefício do PT e que os ex-tesoureiros João Vaccari Neto, do partido, José Di Fillipi, das campanhas presidenciais de 2010 e 2014, eram o “hardware”, que executavam a arrecadação de propina com empresas beneficiadas no governo. “Palocci era como se fosse o ‘software’ do Partido dos Trabalhadores, enquanto João Vaccari e José Di Fillipi eram ‘hardware’, ou seja, executores daquilo que Antonio Palocci pensava e estruturava”, teria dito Delcídio, que é delator da Lava Jato, segundo o Estadão.

Antônio Palocci está detido na carceragem da Polícia Federal em Curitiba desde o dia 26 de setembro. Ele foi ministro da Fazenda no governo Lula e ministro da Casa Civil no governo Dilma Rousseff.

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