'El País': O "fenomeno Doria" arrebata periferia de São Paulo

Reportagem conta que habitantes apoiam novo prefeito mas não confiam em seu partido

Matéria publicada nesta quinta-feira (6) pelo jornal espanhol El País conta que em uma região da periferia a 24 quilômetros do centro de São Paulo no sentido zona leste, nenhum outro candidato teve vez. Todos apertaram o 45 de João Doria no último domingo (2) para elegê-lo prefeito. Nas ruas do distrito de José Bonifácio, no extremo leste de São Paulo, a guinada foi total. Em 2012, Haddad foi o mais votado dali no primeiro turno: recebeu 24.426 votos, ou 34,7% dos votos válidos na região. No último domingo, apenas 11.974 pessoas apertaram o 13 nas urnas. Em números frios, isso significa que, em quatro anos, o atual prefeito de São Paulo perdeu, apenas neste distrito, 12.452 eleitores, 51% dos que haviam confiado nele em 2012. Neste ano, Doria não ganharia ali no primeiro turno, como ocorreu na cidade, mas com seus 44,62% de votos válidos mais do que dobrou a votação no PSDB na região: José Serra, em 2012, teve 12.753 votos (18,1% dos votos válidos); Doria, agora, 29.066.

> > El País El ‘fenómeno Doria’ empieza en la periferia de São Paulo

Reportagem informa que os moradores ouvidos pelo El País afirmaram que o voto não reflete necessariamente um apoio ao partido tucano. Dentre os eleitores de Doria, há quem diga que jamais votaria em José Serra ou no atual governador, Geraldo Alckmin. Mas todos dizem que sua decisão foi baseada na própria imagem de Doria, que durante a campanha se vendeu como um "gestor" e "administrador", algo longe das figuras políticas tradicionais, o que reforça a tese de descontentamento do eleitor com o cenário político nacional. 

De acordo com o jornal espanhol essa leitura aumenta também as expectativas em relação ao Governo do novo prefeito, algo que atingiu, também, Haddad em 2012. O petista, na época, era o nome novo, um professor que não era um político tradicional. Assim como no resto da cidade, a primeira opção do moradores de José Bonifácio foi o não voto: brancos, nulos e abstenções somaram 38.043 eleitores, quase 9.000 a mais que os votos dados ao tucano. O distrito tem 103.182 eleitores aptos a votar.